domingo, 22 de abril de 2018

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" no MAR/RJ

A exposição propõe um percurso pela história social do samba — patrimônio imaterial brasileiro —-, da diáspora africana à atualidade do samba carioca. A perspectiva da resistência e da reinvenção cultural atravessam a mostra, apresentando a potência do samba como fenômeno social e estético.


A mostra de longa duração vai ocupar o museu por um ano, dos pilotis à Sala de Encontro, e terá como espaço principal o terceiro andar da instituição, área dedicada a investigar a história do Rio de Janeiro. Para explorar os aspectos sociais, culturais e políticos do mais brasileiro dos ritmos, os curadores Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos reuniram cerca de 800 itens. 

A história do samba carioca desde o século XIX até os dias de hoje será contada através de obras de Candido Portinari, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Guignard, Ivan Morais, Pierre Verger e Abdias do Nascimento; fotografias de Marcel Gautherot, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Bruno Veiga e Wilton Montenegro; gravuras de Debret e Lasar Segall; parangolés de Helio Oiticica, e uma instalação de Carlos Vergara desenvolvida com restos de fantasias. O prato de porcelana tocado por João da Baiana e joias originais de Carmem Miranda são algumas das raridades em exibição.

Haverá ainda cinco obras comissionadas pelo MAR, criadas especialmente para “O Rio do Samba”. A convite dos curadores, Ernesto Neto e o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, criaram uma instalação interativa, que terá lugar de destaque na Sala de Encontro. Jaime Lauriano fará uma intervenção logo na entrada do museu, gravando nas pedras portuguesas do chão dos pilotis os nomes das etnias africanas escravizadas no Brasil. A passarela que leva o visitante à sala de exposições será tomada por letras de música que falam sobre o próprio samba e ambientada por uma peça sonora criada pelo músico Djalma Corrêa, inspirada na batida do coração. Gustavo Speridião ocupará uma parede com uma obra inspirada na geografia do samba no Rio e João Vargas apresentará uma videoinstalação sobre o samba enquanto dança do corpo individual e coletivo.

Da herança africana ao Rio negro

A mostra é dividida em três momentos. O primeiro, “Da herança africana ao Rio negro”, apresenta a trajetória de indivíduos oriundos, em razão da escravidão, de diversas nações africanas ao Brasil e que trazem consigo uma a diversidade cultural que será reinventada no território da então colônia portuguesa. Na zona portuária da cidade, onde estão os terreiros e as casas das tias, que terão papel central no 

surgimento do samba carioca. Ainda hoje algumas personagens locais representam essa forte cultura do matriarcado. Para homenagear essas mulheres, tia Lúcia – moradora da região e integrante do programa Vizinhos do MAR – verá suas obras na exposição. 

Aqui o visitante poderá conhecer objetos usados pelos negros na lavoura, como o pão de açúcar – utilizado para carregar o produto e que, por seu formato, deu origem ao nome do famoso ponto turístico da cidade. Também entram em cena as festas rurais e religiosas: ao mesmo tempo que os instrumentos do candomblé se confundem com os do samba, manifestações como jongo e congada são encenadas em festejos como a Folia de Reis. 

Da Praça XI às zonas de contato 

Com o aumento da população, o centro da cidade começou a ter um alto custo de moradia. Iniciou-se, então, o movimento de expansão para os subúrbios. O núcleo “Da Praça XI às zonas de contato” trata dos aspectos que levaram à marginalização dos sambistas; do desenvolvimento da linha férrea que deu origem à Estação Primeira de Mangueira; da criação do samba moderno no Estácio; da entrada do ritmo nos programas da Rádio Nacional; do surgimento do “samba de andar” nos desfiles da Avenida Central, Rio Branco e Presidente Vargas; do projeto de nacionalismo da Era Vargas, quando o ritmo foi tomado como identidade nacional e intensamente difundido nas rádios. 

Fazem parte deste núcleo fotografias de rodas no morro registradas por Marcel Gautherot e instrumentos do candomblé incorporados ao samba pelos músicos que transitavam pelo Estácio. Pandeiros, caxixis e agogôs estarão expostos no mesmo ambiente de obras que retratam esses encontros, como “Orquestra”, de Lasar Segall.  Aqui o visitante verá também figurinos criados por Di Cavalcanti para o balé “Carnaval das crianças brasileiras”, de Villa-Lobos.

O Samba Carioca, um patrimônio 

A transformação do samba em espetáculo e o processo de retomada das origens fazem parte do último núcleo. “O Samba Carioca, um patrimônio” retrata a tradição das escolas enquanto voz de uma comunidade que usa o samba e seus elementos para representação social; a grandiosidade dos desfiles, passando pela construção do sambódromo; o avanço do mercado fonográfico e a relação com a produção das composições: os ritmos que derivam do samba; a reafricanização; a retomada dos quintais do samba; a revitalização da Lapa e a oficialização do samba como patrimônio cultural imaterial.  

Joãosinho Trinta ganha destaque com fotografias de Valtemir do Valle Miranda, especialmente uma imagem inédita da alegoria Cristo-Mendigo sem o plástico que a cobriu durante o desfile da Beija-flor, em 1989. Nesse contexto, também aparece a homenagem a Martinho da Vila e ao desfile “Kizomba, festa da raça”, que em 1988 rendeu à Vila Isabel o título de campeã do carnaval dos Cem Anos da Abolição da escravatura no Brasil.  

A evolução da indústria fonográfica será representada por uma espécie de árvore do samba. Uma parede da galeria será ocupada por 70 capas de discos raros e fotografias que se relacionam com a produção desse material. Aqui, finalmente, os compositores ganham voz e gravam canções, que poderão também ser ouvidas pelo visitante em uma playlist. A exposição termina com o retorno das rodas para os quintais. O processo social de ressurgimento e fortalecimento das rodas de samba, o surgimento do Fundo de Quintal, a criação do pagode e a ocupação da Lapa, como novo reduto do samba e revelando cantoras como Teresa Cristina e Ana Costa. Finalmente, o ritmo como patrimônio cultural imaterial aparece para mostrar o samba como condição de vida para além do carnaval. Esses indivíduos são representados em uma série fotográfica de Bruno Veiga e em um filme inédito do cineasta Lula Buarque, produzido especialmente para ser exibido em “O Rio do Samba: reinvenção e resistência”.   

Curadoria: Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos.

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" 
28/4/2018 a 30/3/2019
Praça Mauá, 5, Centro. CEP 20081-240 - Rio de Janeiro/RJ.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Apoiador das artes e da comunicação: conheça Miguel Díaz-Canel, novo presidente cubano

“Companheiro deputado Miguel Díaz-Canel, a partir deste instante o senhor é o novo presidente do Conselho de Estado e de Ministros da Assembleia Nacional de Cuba. Aproxime-se e assuma a presidência”, assim anunciou o presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo, na manhã desta quinta-feira (19). O sucessor de Raúl Castro foi eleito por unanimidade pelos parlamentares, na casa legislativa que é considerada uma das mais democráticas do mundo.

Fania Rodrigues | Havana (Cuba), no Brasil de Fato 


Em seu primeiro discurso, o novo presidente de Cuba disse que assume com “determinação o legado da geração histórica, que conquistou a Revolução Cubana” e compromete-se em seguir aprofundando o modelo socialista cubano. Díaz-Canel ressaltou ainda que o resultado de sua eleição é o reflexo de uma “determinação do povo”, que participou massivamente das duas primeiras etapas da eleição, que escolheram os representantes do Congresso cubano.

“Nesse mandato não há espaço para mudança brusca, apenas para a continuidade do modelo socialista cubano”, resumiu. O novo presidente disse também que a tarefa da nova geração política que assume o poder neste mandato é “dar continuidade à Revolução Cubana” e que segue o exemplo do “líder da revolução, Fidel Castro, e do general do Exército e primeiro-secretário do partido comunista, Raúl Castro”.

Confira o discurso de Díaz-Canel:



Saiba quem é novo chefe de Estado cubano


Um homem discreto, simples e muito inteligente. Assim é descrito pelos cubanos o sucessor de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel, que assume como novo presidente da ilha neste 19 de abril.

Casado com uma professora universitária e pai de dois filhos, fruto do primeiro matrimônio, Miguel Díaz-Canel nasceu no dia 20 de abril de 1960, um ano depois do triunfo da revolução. Nesta sexta-feira (20), completa 58 anos e representa uma nova geração no comando do país.

Começou sua carreira política na província de Santa Clara, região central de Cuba, onde foi militante e depois dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU) e da União de Jovens Comunistas (UJC).

Votação da Assembleia Legislativa cubana |Foto: Juvenal Balán
Formado em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu, o novo presidente começou sua carreira profissional como oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), na qual esteve de 1982 a 1985. Mais tarde, chegou a dar aula na universidade em que se graduou. Entre 1987 e 1989, cumpriu missão internacionalista na Nicarágua, como comissário político da UJC, na brigada militar de Cuba, durante a Revolução Popular Sandinista (1979-1990).

Atualmente, além de primeiro vice-presidente do Conselho de Estado, é membro do birô político do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a máxima autoridade tanto no sentido ideológico quanto político do partido e do Estado cubano. Portanto, Díaz-Canel é homem de total confiança de Raúl Castro, assim como era do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro.

Destaque na política

Apesar de ter passado por alguns cargos de direção quando jovem, foi como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, do Comitê Provincial de Villa Clara, que ganhou destaque na política nacional. Era 1994 e o país estava em pleno “período especial”. Com a queda da União Soviética, em 1991, Cuba perdeu os investimentos que recebia e viveu uma década de crise econômica profunda. O produto interno bruto encolheu 36%, entre 1991 e 1993. Havia escassez de diversos produtos, mas a falta de comida e combustível era o que mais afetava o cotidiano.

Em foto de dezembro de 1992, quando Díaz-Canel fazia
parte da União de Jovens Comunistas de Cuba
O escritor e jornalista Cubano Iroel Sanchez, autor do blog La pupila insomne, também de Villa Clara, conviveu com o político na juventude. “Díaz-Canel teve um papel importante na solução dos problemas gerados pela crise, sobretudo em um momento em que havia cortes de energia elétrica. Nessa época, criou uma relação muito próxima com o povo”, conta Sanchez.

Já nesse período era conhecido também por seu amor à arte. Mesmo na etapa difícil dos anos de 1990, ele ajudou a impulsionar a produção cultural em Santa Clara, capital da província de Villa Clara. “Me lembro de uma apresentação de teatro que fizemos na minha casa, não havia energia elétrica, a iluminação era a vela. E lá estava Miguel Díaz-Canel prestigiando a obra com a família”, relembra o produtor cultural Ramón Silberio Gómez, morador de Villa Clara. Hoje ele dirige o centro cultural El Mejunje, em Santa Clara.

O local é conhecido no país por ser vanguarda na inclusão de elementos culturais marginalizados em Cuba naquela época, como o rock’n roll e as apresentações culturais produzidas por travestis. Naquele momento, como máxima autoridade provincial, Díaz-Canel ajudou a impulsionar importantes reformas culturais nessa região do país. Até hoje Santa Clara figura como um dos mais importantes centros de produção cultural da ilha, atrás apenas de Havana. “Ele estabeleceu um estreito vínculo com o setor cultural e intelectual do país”, afirma o produtor cultural.

Díaz-Canel não faz parte da classe de políticos que frequentam festas, comemorações ou coquetéis com embaixadores. Porém, é comum encontrá-lo em concertos, apresentações de teatro e de livros, de acordo com Silberio Gómez. Sua personalidade, segundo quem o conhece, transita entra a timidez e a discrição.

Bem afeiçoado e sempre com um sorriso no rosto, o novo chefe do Estado cubano costumava andar de bicicleta pelas ruas de Santa Clara, mesmo já sendo uma importante autoridade política. “Era um dirigente do povo, simples, que costumava andar de bicicleta pela cidade e cumprimentava todo mundo”, conta Gómez.

Hoje, longe da bicicleta e mais perto do despacho presidencial, Díaz-Canel ainda dispensa certos protocolos. Precisa andar com segurança, devido ao cargo de vice-presidente que ocupa desde 2013. No entanto, usa uma estrutura mínima que se resume a um guarda-costas e um motorista. Isso deve mudar em breve, pois o Estado cubano tem um regime de segurança rigoroso com o presidente do país. “Em Cuba existe um problema com os líderes da geração histórica, que é o fato de os Estados Unidos terem tentado matar Fidel Castro 538 vezes. Foi o líder de Estado que os EUA mais vezes tentaram matar e não puderam. Isso gerou medidas elementares de segurança. Não é uma proteção contra os cubanos, mas contra as tentativas de assassinato dos EUA”, explica o escritor Iroel Sanchez.

Antes de ser vice-presidente, Díaz-Canel foi ministro de Educação Superior, entre 2009 e 2013. Esse ministério faz a gestão de todas as universidades do país. Desse período vem sua relação com o setor de educação, que se manteve, tanto que foi designado pelo partido para discutir o texto da nova Conceitualização do Novo Modelo Econômico e Social Cubano de Desenvolvimento Socialista, debatido e aprovado no último Congresso do Partido Comunista, realizado em novembro de 2017.

Em uma das plenárias com educadores realizada antes do congresso, o diretor do Centro Martin Luther King, Joel Suárez, conta como foi a relação estabelecida com Díaz-Canel: “É uma pessoa que sabe escutar. As vezes que interviu foi para colocar exemplos de situações práticas que se vivem o país. Ao mesmo tempo, notava-se que ele é uma pessoa que estuda e lê, pois entrava também no debate de ideias, intelectual e teórico. Contribuía ao debate”.

Díaz-Canel, então dirigente da
juventude cubana, junto a Fidel Castro
Para a jornalista Irma Shelton, repórter e apresentadora do canal Cubavisión, Díaz-Canel já era o favorito a ocupar o mais alto cargo do país. “Ele é um dirigente político que vem das filas da Federação Estudantil Universitária e da Juventude Comunista de Cuba. Um dirigente que se destacou por sua inteligência e por sua relação com as massas, porque sabia dirigir”, relata.

E foi como dirigente do Partido Comunista que protagonizou uma da histórias conhecidas nos bastidores da política cubana. A jornalista Daisy Gómez, uma das mais conhecidas de Cuba, contou ao Brasil de Fato uma anedota que ilustra um pouco o grau de liderança que tinha junto à população de Villa Clara.

Em 1996, Díaz-Canel convidou o presidente Fidel Castro para celebrar uma data patriótica junto com a população da capital provincial de Villa Clara, em Santa Clara. Fidel disse: “É que a data está muito próxima, será impossível que possa reunir em tão pouco tempo a quantidade de pessoas necessárias para encher a praça da cidade. Díaz-Canel então respondeu: “Eu me comprometo que esta noite a praça estará cheia”. “E encheu”, conta Daisy Gómez.

Modernização da comunicação

Agora, frente a novas responsabilidades, Miguel Díaz-Canel terá a tarefa de conduzir Cuba em direção às mudanças econômicas que provocarão forte impacto na sociedade. Ele faz parte de nova geração de políticos escolhidos para enfrentar os desafios da modernidade.

Díaz-Canel durante eleições cubanas de 2012
Desde 2013, quando foi eleito para o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional, Díaz-Canel recebeu a missão de ser o executor das políticas estabelecidas pelo governo de Raúl Castro para área da comunicação, que envolvia telefonia, ampliação do acesso à internet, modernização dos canais de televisão, informatização e automatização dos processos produtivos.

“Como vice-presidente teve um papel de destaque. Ele coordenou a execução do Plano de Informatização do país. Nos últimos anos, houve um incremento substancial no acesso à internet em Cuba. O que tem gerado qualidade de vida à população”, destaca Iroel Sánchez, escritor e blogueiro no país.

Como vice-presidente ele também foi um dos principais defensores da massificação do uso da internet pela população cubana. Durante o lançamento do Plano de Informatização, em 2015, fez um discurso enfático sobre a necessidade expansão da internet na ilha. “A criação de uma infraestrutura de internet, de acordo com nossas possibilidades, servirá de de base para o desenvolvimento das atividades econômicas em todos os níveis: estatal, das cooperativa e do setor autônomo”.

Também defendeu o uso da internet como ferramenta de geração de empregos. “A internet tem um potencial gerador de serviços e de atividade econômica que contribui como fonte de criação de empregos, recursos e crescimento econômico”.

O escritor e blogueiro cubano afirma ainda que Díaz-Canel também é o responsável por impulsionar modernização dos meios de comunicação, especialmente os canais de televisão. O principal canal de TV cubano, Cubavisión, entrou na era digital. Foi totalmente remodelado e está fazendo a transição para o sinal digital. Em três meses, o sinal analógico começará a ser desligado e gradualmente será substituído pelo novo sinal.

Em 2016, no encerramento do 7º Congresso do PC
Cubano, com Fidel e Raúl
Além disso, já existe um debate sobre a criação de uma nova política de comunicação, que será estabelecida pelo novo chefe de Estado, de acordo com informações de Iroel Sánchez. O escritor enfatiza que Cuba é submetida há anos a uma guerra midiática gigantesca. “O governo dos Estados Unidos gasta em média 50 milhões de dólares, ao ano, em propaganda contra Cuba. Falo do orçamento do Estado, fora o que se faz por outras vias em conjunto com os meios privados. Esse valor está muito acima do orçamento de todos os meios cubanos juntos”, informa Iroel.

Ainda que não tenha a ambição de competir com seu vizinho do norte, Cuba tem a necessidade de criar um novo modelo de produção e difusão de informação, de acordo com o escritor. “Cuba tem a necessidade elevar a qualidade de sua comunicação. Uma maneira de se defender é tendo bons meios de comunicação”, ressalta Iroel.

Agora eleito presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel tem a missão de implementar todas as mudanças aprovadas no último Congresso do PCC, que conformarão o novo modelo de desenvolvimento do socialismo cubano. Será a continuidade da Revolução, que em janeiro de 2019 completará 60 anos.

No entanto, em Cuba não haverá mudança brusca, nem guinada de governo, afirmam todos os entrevistados para o Brasil de Fato. Até porque Raúl Castro sai da presidência do Conselho do Estado, mas não vai se retirar da política. Ele continua à frente do Partido Comunista, que participa da tomada de decisões e implementação do plano de governo. No ano passado, durante o congresso do partido, Raúl foi eleito primeiro secretário do Partido Comunista Cubano para o mandato que termina em 2021. Além disso, o membro da geração histórica é o comandante e chefe das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

Linha do tempo da vida do presidente Miguel Díaz-Canel


• Entre 1975 e 1982: Militante e dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU).

• 1982: Formou-se em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu.

• Entre 1982 e 1993: Dirigente da União de Jovens Comunistas (UJC).

• Entre 1982 e 1985: Oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba.

• 1994: Foi nomeado primeiro-secretário do comitê provincial do Partido Comunista de Cuba (PCC), de Villa Clara. Nessa época, o cargo representava a máxima autoridade política da província.

• 2003: Nomeado primeiro-secretário do PCC da província de Holguín e eleito membro do birô político do comitê central do PCC.

• Entre 2009 e 2013: Ministro de Educação Superior.

• Desde 2013: Primeiro vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional e do país. Foi o primeiro político nascido depois do triunfo da Revolução Cubana (1959) a ocupar esse cargo.

• 2018: Eleito novo presidente de Cuba, sucessor de Raúl Castro.




segunda-feira, 16 de abril de 2018

Materiais produzidos pelo prof. Fernando Penna (UFF) analisando o movimento Escola Sem Partido

Por uma escola democrática e sem censura
Professores Contra o Escola Sem Partido


TEXTOS E ARTIGOS CIENTÍFICOS:
- O ódio aos professores (18/09/2015):
https://goo.gl/HbEc1S
(também publicado no livro “A ideologia do movimento Escola sem Partido”, baixe o livro aqui: https://goo.gl/Izw1E3)
- Proibido educar? Com o pretexto de evitar “doutrinação”, projeto de lei ameaça o ensino escolar e criminaliza a prática docente (01/05/2016):
https://goo.gl/3Aib2C
- O ódio aos professores se profissionaliza (14/11/2016):
https://goo.gl/2gDx3D
- Programa “escola sem partido”: ameaça a uma educação emancipadora (2016): https://goo.gl/nQGbVk
- Escola sem Partido como chave de leitura do fenômeno educacional (2017): https://goo.gl/9sbEyB
(publicado no livro "ESCOLA “SEM” PARTIDO: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira", baixe o livro aqui: https://goo.gl/JE5p3u)
- "Escola sem Partido" como ameaça à Educação Democrática: fabricando o ódio aos professores e destruindo o potencial educacional da escola (2017):
https://goo.gl/buKe7S
PARTICIPAÇÕES EM AUDIÊNCIAS PÚBLICAS:
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (03/11/2015): https://youtu.be/XGK0_dLEQN0
Senado Federal (16/11/2016)
https://youtu.be/q8vw6aHq3jQ
Câmara dos Deputados (07/02/2017):
https://youtu.be/tsG8j1kkRow
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (17/04/17):
https://youtu.be/MZfgFj_vJOA
Câmara Municipal de Ribeirão Preto - SP (24/04/17): https://youtu.be/ROaVcMvMdVk
Câmara Municipal de Salvador - BA (29/05/2017): https://youtu.be/s_W34wik_Ms
Câmara Municipal de Tubarão - SC (11/08/17):
https://youtu.be/3674qvNDGk4
ALERJ - Entrega da Medalha Tiradentes (05/03/2018):
https://youtu.be/b4Yg2YcXOSA
Câmara Municipal de Araraquara- SP (12/04/18):
https://youtu.be/i-mMm-X7ZpU
PALESTRAS:
O movimento Escola sem Partido e o ódio aos professores (18/04/2016): https://youtu.be/0OoXp6dSRMc
Escola Democrática X Escola sem Partido (24/06/2016): https://youtu.be/xGh-mFadrZA
Aula Magna da Faculdade de Educação – Escola sem Partido como chave de leitura (14/09/2016) - https://goo.gl/xjpG6c
Programas de TV:
Sala Debate – Canal Futura: https://youtu.be/J2v7PA1RNqk
Caminhos da Reportagem – TV Brasil: https://youtu.be/dKPz9_mTLk4
PODCASTs:
Sobre História Podcast - "Escola sem Partido"
https://goo.gl/s2xR8k
PCESP#1 - O que é uma boa educação?
https://goo.gl/9gXCQG
PCESP#2 - Democracia Radical
https://goo.gl/rEznWE
PCESP#3 - Censura e perseguição política às universidades
https://goo.gl/rp9ZYR
DOCUMENTO:
“Em defesa da liberdade de expressão dos professores” (carta aberta ao Senado): https://goo.gl/4BrSaE
Assinaturas da carta:
https://goo.gl/4rPhZw

sábado, 14 de abril de 2018

A ATUALIDADE DO LEGADO DE LUIZ CARLOS PRESTES E OS CAMINHOS DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA NO BRASIL

POR ANITA LEOCADIA PRESTES

(Texto apresentado em evento comemorativo dos 120 anos de Prestes e 110 anos de Olga, IFCS/UFRJ, 5/4/2018)

Luiz Carlos Prestes, ao pensar os caminhos da revolução socialista no Brasil, elaborou um pensamento crítico às concepções nacional-libertadoras amplamente difundidas junto a muitos partidos comunistas do nosso continente. Temos em vista as teses paras os países coloniais e semicoloniais aprovadas em 1928 no VI Congresso da Internacional Comunista e reafirmadas na 1ª Conferência dos Partidos Comunistas da América Latina, realizada em Buenos Aires, em 1929.

Tratava-se de uma concepção estratégica falsa, uma vez que inadequada à realidade que os comunistas pretendiam transformar, pois o capitalismo implantado no país surgira na época do domínio imperialista mundial exercido pelas potências centrais desse sistema, o que determinou sua posição subordinada, ou seja, a dependência a que ficou submetido. Não havia condições para a conquista de um desenvolvimento livre e independente do capitalismo brasileiro, meta que era perseguida pelos comunistas.




terça-feira, 10 de abril de 2018

Para download: "Os intelectuais e a defesa da educação brasileira"

Os intelectuais e a defesa da educação brasileira
Organizadores: Eraldo Leme Batista; Paulino José Orso; Bruno Botelho Costa
NAVEGANDO PUBLICAÇÕES, 2018

LINK PARA DOWNLOAD:

Sumário

PREFÁCIO
Maria de Fátima Felix Rosar
APRESENTAÇÃO
Os Organizadores

CAPÍTULO I
LOURENÇO FILHO: A OBRA DE UMA VIDA, A VIDA NUMA OBRA
Carlos Monarcha

CAPÍTULO II
DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO: OS PILARES DA CONSTRUÇÃO DO NOSSO FUTURO EM ANÍSIO TEIXEIRA
Josildeth Gomes Consorte

CAPÍTULO III
ENTRE O UNIVERSAL E O PARTICULAR: O DIREITO À EDUCAÇÃO E SUAS EXPRESSÕES EM FERNANDO DE AZEVEDO (1894–1974)
José Carlos Souza Araújo

CAPÍTULO IV
A EDUCAÇÃO E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO NA PERSPECTIVA TEÓRICA DE PASCHOAL LEMME
Eloá Soares Dutra Kastelic

CAPÍTULO V
A TRAJETÓRIA INTELECTUAL DE ROQUE SPENCER MACIEL DE BARROS
Paulino José Orso

CAPÍTULO VI
A LEITURA SOCIOLÓGICA DO FOLCLORE PAULISTANO: A CONTRIBUIÇÃO DE FLORESTAN FERNANDES
Débora Mazza

CAPÍTULO VII
FLORESTAN FERNANDES E O COMPROMISSO DO INTELECTUAL COM A DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Gilcilene de Oliveira Damasceno Barão

CAPÍTULO VIII
PAULO FREIRE E EDUCAÇÃO PARA PENSAR CRITICAMENTE E A INTERVIR NA REALIDADE
Bruno Botelho Costa

CAPÍTULO IX
EDUCAÇÃO E POLÍTICA: AS IDEIAS PEDAGÓGICAS DE PAULO FREIRE NOS ANOS DE 1960
Ana Paula Salvador Werri

CAPÍTULO X
O PENSAMENTO DO INTELECTUAL – POPULAR CARLOS RODRIGUES BRANDÃO
Érico Ribas Machado
Karine Santos
Fernanda dos Santos Paulo

CAPÍTULO XI
DERMEVAL SAVIANI – UMA TRAJETÓRIA DE LUTA E COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA
Eraldo Leme Batista
Marcos Roberto Lima

CAPÍTULO XII
Atualidade e necessidade do pensamento de Álvaro Vieira Pinto: Educação e desenvolvimento em debate
Rita de Cássia Fraga Machado

SOBRE OS AUTORES

sábado, 7 de abril de 2018

Ken Loach: ‘Marx é sempre um farol’

Jornal do Brasil
RODRIGO FONSECA* Especial para o JB

Embora já tenha anunciado sua aposentadoria do cinema muitas vezes, Ken(neth Charles) Loach não larga o osso: aos 81 anos, o diretor inglês, consagrado com duas Palmas de Ouro por seu modo poético de traduzir engajamento a lutas sociais em forma de filmes, segue a idealizar longas-metragens. De 1967, quando estreou como cineasta com “A lágrima secreta”, até 2016, quando foi contemplado com sua segunda Palma em Cannes por “Eu, Daniel Blake”, rodou cerca de 40 produções, entre ficções, documentários e telefilmes. Desse pacote, 22 títulos foram reunidos pelas curadoras Claudia Oliveira e Fernanda Bastos numa retrospectiva da estética piqueteira do cineasta, que começa hoje na Caixa Cultural, no Centro, onde segue até o dia 15. No dia 7, às 16h30, será exibido o longa que deu a ele sua primeira Palma, “Ventos da liberdade”, de 2006. Ao fim da sessão, a Associação de Críticos do Rio de Janeiro (ACCRJ) vai debater sua filmografia, que sempre se alimenta dos escritos marxistas em prol dos direitos humanos. 

“Marx é sempre um farol para o mundo, pois ele aponta questionamentos onde muitos só enxergam certezas”, disse Loach. Na entrevista a seguir, dada ao “Jornal do Brasil “ na França, ele explica como constrói sua linguagem e também fala sobre o país. 



JORNAL DO BRASIL: Seu cinema incorpora fatos reais, emprega não-atores. O que há de documental nele? 

KEN LOACH: Fiz filmes como “Espírito de 45” (em exibição na Caixa Cultural no dia 13, às 17h) que são essencialmente documentais: usam imagens de arquivo e não ficcionalizam nada. Ali, eu tenho um documentário. Fora isso, conto histórias, inventadas, com uma reflexão moral na maneira como os personagens encaram suas jornadas. Não uso câmera na mão, não invado o espaço do ator para desfocar sua interpretação e valorizar o que está em torno dele, e me baseio sempre em roteiros. Uso tripé, com câmera fixa, ensaio... Tudo isso quebra uma certa estética documental que ficou em voga nos últimos anos e que tem seu valor. Mas não sigo esse caminho. Eu observo. Minha câmera é testemunha de reflexões que meus atores – mais ou menos experientes na prática de atuar – fazem acerca de problemas universais que apresento a eles. E parto de pesquisa na escrita dos scripts, feita pelo meu parceiro Paul Laverty. Ao observar, enquadro o real e o analiso.   

JB: O que o rótulo de “cineasta marxista” representa para o senhor? 

KL: Houve um momento na História do século XX no qual, qualquer atitude dialética, que envolve a preocupação com o bem-estar da sociedade, passou a ser encarada como expressão política. Se o rótulo vier dessa ótica, está aceito, embora ele seja redutor. Leio Marx décadas a fio, porque o Velho Barbudo sempre tem o que explicar acerca de nossas incongruências. Marx não é religião, é iluminação. Agora, o fato de eu passar por ele para falar sobre pessoas – que é o que meus filmes buscam fazer – faz da minha obra “cinema político”. Há uma linhagem de filmes que assumem melhor essa classificação, como eram os longas de Elio Petri, de Costa-Gavras, do seu Glauber Rocha e muitos documentários. Eu conto histórias sobre pessoas em conflitos pessoais diante de dilemas práticos. E, muitos desses dilemas, é o Estado que cria. Enquanto o Estado não parar de culpar os pobres por seu infortúnio, não pararei de filmar, enquanto tiver forças.

JB: O senhor é um dos poucos diretores a ter duas Palmas de Ouro no currículo. A segunda, conquistada por “Eu, Daniel Blake”, em 2016, veio às vésperas do seu aniversário de 80 anos, ampliando sua popularidade em circuito. Qual é o valor ético desse filme na sua obra? 

 KL: Todos os meus filmes partem de um olhar sobre as cidades onde eles se passam, ou sobre países, como é o caso da Espanha franquista em “Terra e liberdade”. A cidade é um coprotagonista, pois ela interage todo o tempo com os personagens, modificando como eles agem. “Eu, Daniel Blake” tem muitas universalizações, mas tem também um foco geográfico bem específico: Newcastle, uma cidadezinha a 450 Km ao Norte de Londres, com uma tradição de lutas sindicais. É um lugar mais pobre do meu país, que adotei como cenário a fim de gerar uma reflexão sobre o quanto é desordenada a assistência aos desempregados. A Inglaterra é um país do desemprego e de muitas outras contradições. Muitas delas vieram à tona com o plebiscito acerca da nossa saída da União Europeia e o Brexit. Nesse filme, tive a sorte de partir do conflito do desemprego para falar sobre amizade e denunciar o peso da burocracia nos centros de assistencialismo. 

JB: O senhor manifestou interesse, há quase uma década, em fazer um filme sobre Jean Charles de Menezes, brasileiro morto no metrô de Londres, em 2005. Também mostrou desejo de filmar o impeachment de Dilma Rousseff. Qual é a imagem que o senhor tem do Brasil hoje?

KL: Não cheguei exatamente a planejar filmes sobre esses fatos que citou, apenas penso que eles deveriam ser filmados, mas não por mim, porque eu não falo português. A língua é essencial para falar de uma outra cultura. Eu entrei no cinema numa época em que o Brasil estava em moda, com filmes de grande potência, do chamado Cinema Novo. Vez por outra, surge algum fenômeno, como “Cidade de Deus”, mas não é sempre. O que eu sei é que vocês passaram por um golpe de estado e isso vai ter consequências sobre vocês e sobre nós, aqui do Velho Mundo, com a desestabilização da América Latina.

* Rodrigo Fonseca é roteirista e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)


Mostra "O Cinema Político de Ken Loach"
Caixa Cultural-RJ exibe retrospectiva do diretor Ken Loach

De 3 a 15 de abril (terça a domingo)
Ver programação em:


quarta-feira, 4 de abril de 2018

BCo recebe doação de acervo de Luiz Carlos Prestes [+ vídeo]

Biblioteca da UFSCar  recebe acervo de Luiz Carlos Prestes. São livros e objetos que pertenceram ao líder revolucionário brasileiro.

Por Adriana Arruda - Publicado em 04-04-2018


Lembrança do PCB pertencente a Prestes (Foto: DeCORE-BCo)
No mês de março, a Biblioteca Comunitária (BCo) da UFSCar recebeu a doação de arquivos do acervo de Luiz Carlos Prestes, militar e político brasileiro que comandou a revolucionária marcha Coluna Prestes entre os anos de 1925 e 1927. Para tanto, no dia 19 de março, a BCo recebeu a visita de Anita Prestes, filha do militar com a militante comunista judia Olga Benário. Chegaram na Universidade mais de 360 pacotes, que contêm livros pertencentes a Prestes, bem como documentações e correspondências de amigos e familiares, fotos, quadros, medalhas e outros objetos pessoais do político.

O intuito é organizar o material e disponibilizá-lo na BCo para a consulta de pessoas interessadas. "Este é um acervo histórico muito rico para pesquisas, sobretudo para historiadores, sociólogos e outros pesquisadores que estudam a temática do comunismo. Teremos na UFSCar uma fonte riquíssima a ser explorada por esses pesquisadores", ressalta Izabel da Mota Franco, bibliotecária do Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da BCo.

Franco conta que todos os objetos recebidos estão etiquetados e separados por períodos - pré-prisão, prisão e pós-prisão. "Neste primeiro momento, nós cuidaremos dos livros, para disponibilizá-los à consulta de todas as pessoas interessadas. Para isso, já iniciamos o processo de análise de cada obra, que possivelmente passarão por higienização e pequenos reparos. Além disso, as que necessitarem serão encaminhadas para restauro, seguido de catalogação no sistema da Biblioteca", informa Franco. Segundo a bibliotecária, os livros pertencentes a Prestes devem estar disponíveis para consulta da população a partir do segundo semestre de 2018.

Em seguida, a equipe da BCo pretende disponibilizar os demais objetos de Prestes para a montagem de um minimuseu, iniciativa que deve atrair não só pesquisadores, mas também a comunidade local, para visitas. "O intuito é mostrar curiosidades de Prestes e, consequentemente, elementos e conteúdos que fazem parte da história brasileira, sobretudo à comunidade de São Carlos e região", relata a bibliotecária. Os materiais pertencentes a Luiz Carlos Prestes estarão disponíveis no Piso 5 da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar.

Saiba mais sobre a doação do acervo para a Universidade em matéria produzida pela TV UFSCar:



Sobre Luiz Carlos Prestes
Luiz Carlos Prestes foi um militar e político brasileiro, casado com a militante comunista judia alemã Olga Benário. Além de comandar a Coluna Prestes, foi líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos. Em 1936, o político foi preso, juntamente com Olga, que estava grávida de Anita à época e acabou sendo entregue a agentes do governo nazista alemão. Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX.

FONTEUFSCar

quinta-feira, 29 de março de 2018

As mulheres no Parlamento cubano


Por Yudy Castro Morales
  

Numa altura em que os grandes media do capitalismo fingem promover os direitos da mulher, diminui a presença de mulheres no seio dos órgãos legislativos de numerosos países. Mas o Parlamento cubano, com 53,22%, ocupa o segundo lugar mundial no que diz respeito à participação feminina.

Quando, em 1993, Fidel analisava a composição da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) e a participação de um número crescente de diplomados universitários, de negros, de mestiços e de mulheres…retirava a conclusão de que essa constatação testemunhava o «gigantesco avanço do nosso povo no decurso destes anos de Revolução» e representava igualmente «o modo como a desigualdade e a discriminação tinham desaparecido do nosso país».

Desde então cada um destes sectores viu aumentar o seu número de lugares no Parlamento, não apenas com o simples objectivo de respeitar quotas de representatividade, mas pelo facto do valor e da formação dos candidatos que, em resultado dessas características foram eleitos pelo povo.

De entre os 605 deputados eleitos a 11 de Março 53,22% são mulheres, o que faz do Parlamento cubano o segundo mundial com mais forte participação feminina, apenas ultrapassado pelo Ruanda com 61,3%.

O panorama internacional não é, em contrapartida, muito encorajador, se se tomarem em conta os dados recentemente publicados pela União interparlamentar (UIP), um organismo que inclui os órgãos legislativos de 178 países.

Segundo as estatísticas a participação das mulheres nos parlamentos estagnou praticamente entre 2016 e 2017, aumentando apenas 0,1%.

É verdade que no decurso do ano passado os lugares ocupados por mulheres a nível mundial atingiram os 23,4%, quando se verifica uma taxa record de participação de mulheres nas eleições e um número mais elevado de lugares do que nos períodos anteriores, com 27,1%. Mas o saldo entre a entrada e a saída de mulheres deputadas não foi favorável e impediu que haja um maior número de mulheres deputadas em exercício com mandatos alargados.

No continente americano, por exemplo, verificou-se em 2017 um aumento de 0,3% na representação parlamentar feminina, embora as mulheres ocupem 28,4% dos lugares. Argentina (38,1%), Equador (38%) e Chile (22,6%) alcançaram os melhores níveis.

É útil sublinhar que desde 2013 o Parlamento cubano, no decurso da 8ª legislatura cujo mandato expira em Abril, tem uma representação feminina de 48,86%.

Nos dias de hoje, a marcha emancipadora da mulher cubana, para além de ser maioritária na Assembleia Nacional, tem ainda contas a ajustar em termos de equidade e de autonomização e tem ainda de acabar com velhos preconceitos.

Mas ninguém poderá pôr em dúvida a certeza de Fidel de que «ao longo destes anos difíceis não houve uma única tarefa económica, social e política, não houve um único sucesso científico, cultural e desportivo, não houve contributo para a defesa do nosso povo e da soberania da nossa Pátria que não tenha contado com a presença invariavelmente entusiástica e patriótica da mulher cubana».

Sobre as 322 mulheres deputadas

55,59 % são delegadas de base
87,5 % têm um nível de estudos superiores
66,14% são eleitas pela primeira vez
13,66 % têm entre 18 e 35 anos. A média de idades das mulheres deputadas, tal como a do conjunto do Parlamento, é de 49 anos, enquanto a mais jovem de entre elas tem 19 anos
24,5 % (79) pertencem aos órgãos do Poder popular: 37 são presidentes de um Conselho popular, o que significa que se encontram em ligação directa como o povo
51,8 % são negras e mestiças
6,8 % são dirigentes de uma organização de massas e 5,2 % de uma organização politica
15,8 % trabalham na produção e nos serviços
3,10 % pertencem ao sector camponês e cooperativo
17,7 % trabalham nos sectores da saúde e da educação
3,72 % dedicam-se à investigação.

FONTE: ODiario.info

terça-feira, 27 de março de 2018

Sobre las movilizaciones despolitizadas y su inutilidad práctica

Rreflexión de Pascual Serrano sobre lo que él denomina "movilizaciones blandas", es decir movilizaciones de aluvión sin organización y sin estrategia y tácticas de lucha. Podrían calificarse como protestas catárticas que no modifican sino en el plano teatral de la vida política la correlación de fuerzas existentes. Altamente recomendable y un incentivo para discutir un tema largamente negado por la izquierda latinoamericana. Un texto tan breve y conciso como profundo y sugerente.



"Movilizaciones blandas"
Pascual Serrano
en Mundo Obrero, 20 Marzo 2018

El problema de las movilizaciones de aluvión, es decir, sin estructura organizativa, sin objetivo definido y sin activismo estable, es doble. Por un lado, la poca eficacia; con el mismo ímpetu con que se crea la movilización se para y se diluye. La ambigüedad en los objetivos, la renuncia a “contaminarse” con organizaciones previsamente existentes, la indefinición en los asuntos más controvertidos permite despertar simpatía en una mayor base social. Pero eso, a su vez, supone una cohesión más endeble y una inmadurez para echar a andar en el tiempo o enfrentar el debate o la complejidad de la puesta en marcha de organización estable. Son como esos grupos de Facebook que se crean para causas puntuales, crecen de forma exponencial y se enfrían a la misma velocidad.
Por otro lado, si los sectores reaccionarios perciben que la reivindicación es tan masiva como ambigua e inconcreta, su sumarán para no quedarse fuera de la foto y colaborarán así, más todavía, en su desactivación y su inocuidad para el sistema.

Comenzó con los llamados Foros Sociales que iniciaron a andar a principios del dos mil. Toda una galaxia de colectivos de diversa índole, que renegaba de partidos políticos (especialmente en Europa), que incluso tenía como espíritu no tomar el poder sino crear sociedad desde abajo, que se reunía cada cierto tiempo sin gran estructura formal, sin líderes y sin jerarquía. Al cabo de años las ONG´s financiadas por fábricas de pensamiento conservadoras estaban presentes al grito de “otro mundo es posible”. ¿Qué tiene de malo decir otro mundo es posible?, pensaron muchos desde el poder si ni siquiera quieren derrocar a los gobiernos. Hoy no queda nada de aquello.

Vino el 15M en España, las primaveras en otros países. Concentraciones masivas bajo el grito de indignados. Horizontalidad, heterogeneidad, diversidad, pluralidad, giros de manos, saludos al sol... Aversión a partidos políticos y sindicatos, daba igual del signo que fueran. Hubo unas elecciones y una consigna era pintar una nariz de payaso a los candidatos de todos los carteles electorales, a todos, sin distinción. En las asambleas, el titiritero del parque y el joven directivo indignado y frustrado, con tres idiomas y otros tres másteres, eran más aplaudidos que el veterano sindicalista. Proclamaban la indefinición política y el rechazo a los parlamentos y diputados, proscribieron las banderas bajo las cuales se luchó para que ellos pudieras ser libres. No pidieron nacionalizar la banca ni expropiar los latifundios, pero sí que no se subvencionaran a los partidos políticos ni a los sindicatos. Ya son pasado.

Hace unas semanas vivimos la huelga feminista. Es verdad que había un documento de casi 30 páginas de reivindicaciones, pero casi nadie se lo leyó. El clamor era que las mujeres cobraran igual que los hombres, que sus parejas no les peguen ni las maten, que no se les cosifique, que tengan más representación en todos los sectores y ámbitos de la sociedad. No se concretaron suficientemente qué medidas legales se debían aprobar para ejecutar todo ello, qué leyes había que derogar, quiénes debían dimitir por no trabajar por esos objetivos (empezando por la ministra de Igualdad que manifestó estar en contra del feminismo que consiste en igualdad), qué normas debían cumplir los medios de comunicación para combatir el machismo, cómo había que terminar con la arbitrariedad empresarial para poder hacer realidad la igualdad... De nuevo falta de concreción, de estabilidad organizativa, de escalada de movilizaciones. Sin esas medidas concretas, con una mera declaración de intenciones y con todo un clamor apoyándoles, era inevitable que se convirtieran en abanderados feministas la reina Letizia, Albert Rivera, las televisiones que alardeaban del seguimiento de la huelga entre sus redacciones (lo nunca visto, una empresa orgullosa del seguimiento de una huelga entre sus trabajadores), Ana Rosa Quintana y hasta Rajoy desautorizando a sus ministras que criticaron la huelga. A excepción de cuatro casposos de la derecha montaraz, todos terminaron orgullosos de la jornada. Las encuestas decían que el 85% de los españoles estaba de acuerdo con las reivindicaciones, o sea, incluido los empresarios que pagan menos a las mujeres, los hombres que se benefician de la desigualdad y los publicitarios que utilizan el cuerpo de la mujer como reclamo.

Es curioso, los politólogos hablan de golpes de Estado blandos pero en los que se llegan a derrocar a gobiernos legítimos. En cambio nosotros nos creemos que estamos haciendo revoluciones fuertes pero dejamos intacto el sistema. Creo que el enemigo nunca actúa de forma blanda y nosotros nunca actuamos suficientemente fuerte.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Revolução e Socialismo: 120 anos de Luiz Carlos Prestes e 110 anos de Olga Benario

Evento na UFRJ (IFCS) discutirá o legado histórico e político de duas figuras emblemáticas da história do Brasil e também da história mundial, incentivando o debate em torno do papel da "história oficial" - aquela produzida pelos intelectuais comprometidos com os donos do poder - e de uma outra história, comprometida com os interesses e os anseios dos explorados e oprimidos.

Debate com:
- Anita Prestes (professora PPGHC - IH/UFRJ e autora do livro "Olga Benário Prestes - uma comunista nos arquivos da Gestapo")
- Silvio Tendler (cineasta, vencedor de Melhor Longa Documentário com o filme Dedo na Ferida)
- Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro (professor UERJ)
- Elina Pessanha (professora PPGSA - IFCS/UFRJ e coordenadora do AMORJ)

Local: Salão Nobre do IFCS - 2º andar
(Largo de São Francisco, n. 1 /Centro - Rio de Janeiro - RJ)
Data: 5 de abril
Horário: 10 horas
Emissão de certificado de participação

Página do evento no Facebook:


terça-feira, 20 de março de 2018

Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo) recebe acervo de Luiz Carlos Prestes

Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo) recebe acervo de Luiz Carlos Prestes (03/01/1898–07/03/1990) um ilustre personagem da história brasileira, que foi militar e político comunista, uma das personalidades políticas mais influentes no país durante o século XX.

O acervo é composto de diversos tipos documentais e bibliográficos.

Esta Coleção não contém apenas a biblioteca de livros adquiridos por Luiz Carlos Prestes (LCP), mas também rica documentação de arquivo relativa à vida de LCP e objetos pertencentes a este. 

Roniberto M. Amaral (Diretor do SIBi/UFSCar); Marisa C. Lozano ( Diretora da BCo); Izabel Franco ( Coleções Especiais da BCo); Profa. Dra. Anita Prestes; Luiz Ragon (Instituto Luiz Carlos Prestes); Claudia Oliveira; Lívia Reis; Siomara Prado e Sabrina Sena ( Equipe Coleções Especiais da BCo - DeCORE)


Nesta segunda-feira, dia 19 de março de 2018, a Biblioteca Comunitária da UFSCar (BCo) recebeu a visita de Luiz Ragon (Instituto Luiz Carlos Prestes) e da ilustre historiadora Profa. Dra. Anita Leocadia Prestes, doadora do acervo que agora se intitula “Coleção Luiz Carlos Prestes” e que está localizada no Piso 5 da BCo (em processo de inventário e aguardando processamento técnico). 

A historiadora Anita agradeceu em nome do Instituto Luiz Carlos Prestes pelo interesse da UFSCar no acervo que é de relevância histórica e enfatizou o mérito de sua tia Lygia Prestes que com grande esforço preservou uma pequena parte deste acervo, pois grande parte se perdeu com o exílio de Prestes, perseguições e sua prisão. O acervo doado pela historiadora compõe um conjunto representativo de materiais diversificados tais como: livros da prisão com carimbo da “Casa de Correção, RJ” - 1936-1945, muitos deles com anotações; livros pós - prisão (1948-1958) com dedicatórias, uma vasta documentação e vários objetos entre outros materiais.

Reunião: Profa. Anita, BCo e SIBi/UFSCar


A historiadora citou alguns documentos que estão presentes neste acervo como: recortes de jornais; jornais do golpe de 1964, Campanha Prestes, correspondências originais e cópias, inclusive da prisão; pastas com documentação levantada pela historiadora tanto no Brasil quanto em Moscou, entre outros.

Nesta coleção podemos encontrar várias curiosidades: miniatura (em redoma) de autoria do artista José Mauro de Oliveira – uma tipografia clandestina nos anos 30 – homenagem a L.C. Prestes; terno usado por Prestes no seu julgamento no ano de  1936 fornecido  por sua mãe Leocadia (enviado de Paris); capote (vestuário) que Anita usava com 1 ano e 2 meses ao ser separada da sua mãe Olga Benario na prisão feminina de Barnimstrasse, em Berlim; máquina de escrever do ano 1927; vitrola antiga pertencente a Prestes no exílio em Buenos Aires (1928-1930). 

Em resumo a coleção integra uma pequena mostra de vários objetos que pertenceram a Prestes. Neste acervo vale a pena citar uma raridade: um livro do período pré-prisão (1928), em que Prestes tinha grande apreço por esta obra pois se tratava de “Os Sertões” de Euclides da Cunha e o exemplar havia pertencido ao ministro das relações exteriores da Argentina. Prestes comprou o livro durante o seu exílio em Bueno Aires e a obra contém a dedicatória do grande Euclides da Cunha. A comunidade São Carlense e demais interessados em breve poderão apreciar essas preciosidades em exposições promovidas pela BCo.

A convite do diretor do Sistema Integrado de Bibliotecas da UFSCar (SIBi), Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral e da diretora da BCo, Marisa Cubas Lozano, a historiadora profa Dra. Anita L. Prestes pretende futuramente retornar à UFSCar para inauguração do acervo e da linha do tempo de seu pai.

 Doação de Livros da profa. Anita com dedicatórias.



Acervo LCP

Acervo LCP