sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Para download: História do Marxismo vol. 1 em português

1º volume da coleção coordenada por Eric Hobsbawm - publicada no Brasil pela Ed. Paz e Terra.

HISTORIA DO MARXISMO - VOL. 1: O MARXISMO NO TEMPO DE MARX
Os ensaios deste primeiro volume indicam os temas que pontuam as reflexões sobre o marxismo no tempo de Marx: o socialismo antes do filósofo; o materialismo histórico; a crítica da economia política; evolução, revolução e Estado; a transição do capitalismo ao socialismo.

Link para download:


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Leituras Brasileiras: DERMEVAL SAVIANI | A pedagogia histórico-crítica

Leituras Brasileiras: o pensamento crítico brasileiro em 20 minutos.
Episódio 3: Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp e pesquisador emérito do CNPq.

DERMEVAL SAVIANI | A pedagogia histórico-crítica
CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ASSISTIR O VÍDEO


Bibliografia relacionada:

0:51 O conceito de sistema na Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional - Dermeval Saviani
2:16 Política e educação no Brasil: o papel do Congresso Nacional na legislação do ensino - Dermeval Saviani
2:42 Educação brasileira: estrutura e sistema - Dermeval Saviani
2:42 A nova lei da educação: trajetória, limites e perspectivas - Dermeval Saviani
2:50 Da LDB ao novo PNE: por uma outra política educacional - Dermeval Saviani
3:03 O Plano de Desenvolvimento da Educação: análise crítica da política do MEC - Dermeval Saviani
3:03 Sistema Nacional da Educação e Plano Nacional da Educação: significado, controvérsias e perspectivas - Dermeval Saviani
6:57 A reprodução - Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron
7:44 Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado - Louis Althusser
11:46 Escola e democracia - Dermeval Saviani
14:54 Para além da teoria da curvatura da vara - Escola e democracia, cap. 3 - Dermeval Saviani
17:18 História das ideias pedagógicas no Brasil - Dermeval Saviani

Leituras Brasileiras
Uma produção de Rodolfo Pelegrin e Panamá Filmes
Ep.3 - Dermeval Saviani
Direção: Rodolfo Pelegrin
Fotografia: Caio Mazzilli
Audio, edição e finalização: Filipe Franco

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Anita Prestes na UFF de Rio das Ostras

I Seminário de Formação Política do SEPE Rio das Ostras
Palestra da historiadora Anita Prestes: "Centenário da Revolução Russa: a atualidade da Revolução de Outubro de 1917"
Lançamento do livro "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo" (Boitempo Editorial, 2017)

Evento totalmente gratuito e aberto a profissionais da educação, estudantes secundaristas e universitários, público interessado

Haverá emissão de certificado

Dia 23 de Agosto, na UFF Campus Rio das Ostras.
Pólo Universitário de Rio das Ostras - PURO
Endereço: Rua Recife, Lotes 1-7 - Jardim Bela Vista, Rio das Ostras - RJ

PROGRAMAÇÃO

14h - 17h
Cine Debate do filme Olga (do diretor Jayme Monjardim)
Mediador: Prof Dr Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro - Professor Adjunto de História da Educação da UERJ (campus Duque de Caxias, Faculdade de Educação da Baixada Fluminense - FEBF)

18h - 21h 

Fala de saudação dos representantes das entidades organizadoras do evento:
  • SEPE RJ - Oficial - Professor Luciano 
  • ADUFF SSind- Wanderson de Mello 
  • Coletivo Construção- Lucas Brandão
Palestra "Centenário da Revolução Russa: a atualidade da Revolução de Outubro de 1917", ministrada pela historiadora Anita Prestes, professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.
Lançamento do livro "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo" (Boitempo Editorial, 2017)

Evento no facebook:
https://www.facebook.com/events/115672149056342/?acontext=%7B%22source%22%3A22%2C%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22timeline%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22surface%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%2C%22has_source%22%3Atrue%7D&source=22&action_history=[%7B%22surface%22%3A%22timeline%22%2C%22mechanism%22%3A%22surface%22%2C%22extra_data%22%3A[]%7D]&has_source=1&fref=mentions

Anita Leocadia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936 na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista, filha dos revolucionários comunistas Luiz Carlos Prestes, brasileiro, e Olga Benario Prestes, alemã. Afastada da mãe aos quatorze meses de idade, antes de vir para o Brasil, em outubro de 1945, viveu exilada na França e no México, com a avó paterna, Leocadia Prestes, e a tia Lygia. Autora de vasta obra sobre a atuação política de Prestes e a história do comunismo no Brasil, é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.


domingo, 13 de agosto de 2017

Lançamento do Espaço de exposição e comercialização dos Produtos da Reforma Agrária Terra Crioula


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Rio de Janeiro,

Tem a alegria de convidar para o lançamento do Espaço de exposição e comercialização dos Produtos da Reforma Agrária Terra Crioula, nos dias 16, 17 e 18 de agosto na Rua da Lapa, 107.

No dia 16 as 18h estaremos realizando o ato de inauguração desta nova estratégia de comercialização na capital dos produtos da reforma agrária, contamos com a sua presença.

Teremos feira, show ao vivo com produtos da agricultura camponesa do Rio de Janeiro e do Brasil, como forma de fortalecer a relação campo e cidade e o projeto da Reforma Agrária Popular.

Contamos com sua presença!!!

-- 
Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

Secretaria Estadual
MST RJ
secretariamst.rj@gmail.com



sábado, 12 de agosto de 2017

Dossiê Revolução Russa // 1917: o ano que abalou o mundo

O Blog da Boitempo apresenta o dossiê especial “1917: o ano que abalou o mundo“, uma série de reflexões feitas por alguns dos principais pensadores críticos contemporâneos, nacionais e internacionais, sobre a história e o legado da Revolução Russa.

Clique no link abaixo para acessar o dossiê:




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A vida de Olga Benário e a Rebeldia em Tempo de Crise

Palestra com Anita Prestes

17/08 | quinta-feira | 16h30
Faculdade Nacional de Direito - Auditório Valadão (terceiro andar) Rua Moncorvo Filho, nº 8, Rio de Janeiro.
Organizadores: Movimento Correnteza e Movimento de Mulheres Olga Benário
Palestra de lançamento do livro Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo (Boitempo, 2017)




terça-feira, 8 de agosto de 2017

Diplomacia: Brasil abandonou liderança da América do Sul para se alinhar aos EUA, diz pesquisadora

Para pesquisadora norte-americana Deborah James, especialista em políticas da OMC, Brasil "está tão alinhado com os Estados Unidos que deixou de ser alinhado com o Mercosul e com a sua própria população"

Especialista na área econômica, a pesquisadora norte-americana Deborah James acredita que o Brasil abriu mão de liderar a América do Sul em discussões comerciais, se afastando do Mercosul e se alinhando com ênfase aos interesses dos Estados Unidos.

A avaliação foi feita em uma entrevista ao RT, na qual ela foi instada a falar sobre as políticas da OMC (Organização Mundial do Comércio), que realiza a sua próxima conferência em dezembro deste ano, na Argentina.

“Até pouco tempo [o Brasil] era o líder da região que lutava para construir uma unidade entre os países em desenvolvimento […]. Após o golpe de Estado no Brasil, este país abandonou totalmente suas pretensões de ser o líder do sul”, disse a pesquisadora, que integra o Centro de Investigação em Economia e Política (CEPR) e coordena a Rede Mundial Nosso Mundo Não Está à Venda.

A mudança de postura brasileira teria acontecido a partir de setembro de 2013, quando o ex-embaixador Roberto Azêvedo assumiu o posto de diretor-geral da OMC. Dali em diante o governo do Brasil passou a ser um aliado próximo dos EUA, deixando de lutar contra os subsídios de países ricos aos seus produtores agrícolas.

“A posição do Brasil na OMC é contra as necessidades de todos os famintos, mas também os países do sul do mundo. Está tão alinhado com os Estados Unidos que deixou de ser alinhado com o Mercosul e com a sua própria população”, completou Deborah.

No encontro de dezembro em Buenos Aires, a pesquisadora acredita que os gigantes tecnológicos do Vale do Silício, como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft pressionarão por novas regras para a economia digital, ainda com áreas não regulamentadas na economia global.

“O comércio eletrônico que propõe a OMC é um perigo para os países em desenvolvimento […]. Temos que ter um sistema internacional que discipline as corporações através do comércio em favor do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos, incluindo os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, e ao meio ambiente”, comentou.

Para a pesquisadora, os países em desenvolvimento precisam se unir, a fim de evitar que os dividendos produzidos por um crescente comércio digital fique restrito a um pequeno grupo de empresas transnacionais, sem trazer o devido desenvolvimento e sem diminuir a desigualdade.

“A coisa mais importante é exigir uma mudança na OMC. Em outras palavras: transformar, alterar as regras existentes, especialmente em questões agrícolas e de desenvolvimento. Devemos nos opor à expansão da OMC e de forma concreta à inclusão de novos temas, como o comércio eletrônico”, concluiu.

FONTE: Opera Mundi

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Verdades incómodas sobre Venezuela y la furia de las oligarquías mediáticas. Reflexiones en defensa propia

Por Atilio Boron

Comparto unas reflexiones a propósito de mis opiniones sobre la situación en Venezuela y la reacción de la oligarquía mediática.

La desigual cobertura del periodismo: Venezuela es foco exclusivo de atención. México, sumido en el horror, no.


"Los periódicos comenzaron a existir para decir la verdad
 y hoy existen para impedir que la verdad se diga.”
(G. K. Chesterton, 1917)

 En los últimos días, en coincidencia con la decisión de Cambiemos de hacer de Venezuela uno de sus ejes de campaña, fui sometido a un ataque sin precedentes desde las ciudadelas de la oligarquía mediática argentina a propósito de mis opiniones acerca de lo que está ocurriendo en aquel país. Periodistas y académicos unieron sus fuerzas para no sólo disentir con mis ideas sino también para lanzar toda suerte de agravios sobre mi persona. No tiene sentido referirme a cada uno de sus autores por separado, y esto por dos razones. Primero,  porque en el fondo su discurso es el mismo: variantes de un mismo guión dictado desde Washington, reciclado por sus acólitos neocoloniales y lanzado por ellos a través de los “medios independientes” (¿independientes de quiénes?) para hostilizar  a quienes piensan distinto. Segundo, porque individualizarlos sería conferirles a los autores de tales libelos una dignidad que su estatura intelectual y moral hace totalmente inmerecida. Dicho esto, en lo que sigue, va mi respuesta.

Uno. En Venezuela la oposición está compuesta por dos sectores. Uno, que acepta al diálogo con el gobierno. Otro, totalmente opuesto a él y dispuesto a quebrar el orden constitucional y derrocar a Nicolás Maduro apelando a cualquier recurso, legal o ilegal. Desgraciadamente, esta fracción ha sido la que hasta la semana pasada ha hegemonizado la oposición amenazando al sector dialoguista con una brutal represalia si cedía a los llamados del gobierno.[1] Negociar con éste equivalía, para los violentos, a una infame traición a la patria, merecedora de los peores castigos.  Este grupo extremista y fascista hasta el tuétano, venía conspirando contra la democracia desde el fallido golpe de estado del 11 de abril del 2002 y sus principales líderes: Leopoldo López, Henrique Capriles, Antonio Ledezma, Freddy Guevara, Julio Borges y María Corina Machado apoyaron abiertamente aquel golpe. Machado, una de las “demócratas” de hoy,  fue firmante del Acta de Juramentación de la nueva junta de gobierno presidida por el empresario Pedro Carmona Estanga. En dicha acta se cancelaban las libertades públicas, se abolían todas las leyes producidas por el chavismo y se decretaba la cesación en sus cargos de todas las autoridades electas  y de los parlamentarios y ediles del país. Estos fascistas fueron los que, bajo el liderazgo de Leopoldo López, organizarían la sedición de febrero del 2014 –significativamente llamada “Operación Salida”- una vez consumada la derrota del candidato Henrique Capriles en las elecciones presidenciales convocadas luego de la muerte de Hugo Chávez. La “Operación Salida” adoptó las tácticas violentas de control de la calle aconsejadas en diversos manuales de la CIA y en la obra de uno de sus máximos teóricos, Eugene Sharp. Aquellas contemplaban la realización de atentados de todo tipo a instalaciones públicas, autobuses, erección de barricadas armadas (“guarimbas”) impidiendo que la gente saliera de sus hogares y matanza indiscriminada de personas para aterrorizar a la población. A diario López declaraba que esta insurrección sólo cesaría con la renuncia de Maduro. Finalmente se restableció el orden público, pero con un saldo luctuoso de 43 muertos. López fue apresado y enviado a la justicia donde, como veremos más abajo, recibió una moderada condena, desproporcionada en relación a los crímenes cometidos.  Este mismo grupo es el que en abril de este año relanzó la segunda fase de la estrategia insurreccional, pero incrementando exponencialmente la violencia de sus actos e introduciendo macabras innovaciones en sus tácticas de “oposición democrática”: arrojar bombas incendiarias sobre jardines infantiles y hospitales y, como en los viejos tiempos de la Inquisición, quemando vivas a personas cuyo pecado fuese tener el color de piel incorrecto según el criterio de los terroristas. Cuando al describir este deplorable escenario utilicé la expresión “aplastar a la oposición” era obvio para cualquier lector atento de mi artículo que me estaba refiriendo a este sector y no a quienes deseaban una salida pacífica, como felizmente parece estar en marcha en estos últimos días. Cualquier interpretación en contrario sólo puede ser producto de la mala fe. Pero fue dicha lectura la que originó la primera ronda de críticas e insultos.

Dos, si algo revela la monumental hipocresía de mis censores es su sepulcral silencio a la hora de proponer alguna alternativa para detener la violencia en Venezuela. Críticos que en su enorme mayoría no conocen ese  país, que jamás estuvieron en él, ignoran su historia y no tienen amigos o parientes viviendo allí se dan el lujo de agraviar a quien piense de otra manera. Mi preocupación obsesiva por el deterioro de una  situación que podría desembocar en una orgía de muerte y destrucción se funda en la necesidad de evitar para Venezuela -y para los amigos que tengo en ambos lados, en el chavismo y en la vereda de enfrente- un final apocalíptico. No es el caso de mis censores, a quienes en su condición de obedientes publicistas de la derecha – la de aquí y la de allá, y sobre todo la de “más allá”, en Washington- se les ordenó que descarguen toda su artillería contra quienes tuviéramos la osadía de defender el orden institucional en Venezuela. Mil veces hice la pregunta: ¿cómo se detiene la violencia iniciada, nuevamente por la derecha golpista, y ante la cual la respuesta del Estado fue débil e insuficiente? Las respuestas casi siempre fueron evasivas, pero cuando les exigía mayores precisiones lo que decían era: “renuncia de Maduro y convocatoria a elecciones presidenciales.”  Es decir que estos severos críticos de mis opiniones, autoproclamados (pero inverosímiles) custodios de la libertad, los derechos humanos y la democracia, no son otra cosa que vergonzantes apologistas de la fracción terrorista de la oposición. Lo que quieren estos furiosos escribas es nada menos que el triunfo de la sedición, la victoria de los golpistas, el retorno de los fascistas y  la destrucción del Estado de derecho. O sea, quieren exactamente lo mismo que la pandilla de López y sus compinches. Son, por lo tanto cómplices, cuando no autores intelectuales o legitimadores post bellum, de la barbarie desatada por la derecha. En su desesperación por acabar con el chavismo apelan a una retórica que sólo en apariencia es democrática. Lo que hay debajo de sus huecas palabras es una afrenta a los valores humanísticos que dicen defender. Tendrán que hacerse cargo de su apología de la violencia. Porque, en la reseca llanura de la política latinoamericana, con tantas “democracias” que empobrecen, marginan y lanzan a la desesperación a millones de personas no sería de extrañar que fuera de Venezuela surjan  grupos que ante el ostensible vaciamiento del proyecto democrático decidan también ellos apelar a la violencia para derrocar gobiernos que los hambrean y embrutecen. Si los sedicentes custodios de la democracia aprobaron esa metodología en Venezuela, ¿la apoyarán también cuando se ensaye en otros países? ¿Qué van a decir entonces? ¿Que saquear, incendiar, matar y quemar vivas a personas está bien en Venezuela pero estaría mal en Colombia,  Argentina,  México? ¿No les suena un poquitín incoherente exaltar la vía insurreccional en contextos laboriosamente democráticos y que tanto costó construir?

Henrique Capriles tomando por asalto la embajada de Cuba durante el golpe de Abril del 2002


Tres, decíamos más arriba que esta ofensiva se produce en momentos en que el gobierno argentino hizo de Venezuela uno de los ejes de su campaña electoral. Este sábado fue la punta de lanza para suspender a Venezuela del Mercosur, violando las normas del Mercosur y la Carta Democrática establecida en el Protocolo de Ushuaia, y los ataques tienen que ver con eso pero también con algo más. Obedientes, los escribidores y charlistas de los medios hegemónicos arremeten con saña contra cualquiera que defienda al gobierno legal, legítimo y constitucional de Nicolás Maduro. La voz del amo imperial les exige que digan que su gobierno es una feroz dictadura, una manzana podrida en el cajón donde brillan las ejemplares democracias de Argentina, el Brasil del golpista Michel Temer, y Paraguay, dignas herederas de la democracia ateniense y sus grandes líderes como Pericles, Solón y Clístenes, que empalidecen cuando se los compara con sus actuales sucesores sudamericanos. Tremenda dictadura la de Maduro en donde, seguramente al igual que en tiempos de Videla, Pinochet y Strossner, sus  opositores pueden ir a Estados Unidos para solicitar la intervención armada de ese país en Venezuela, como lo hiciera el presidente de la Asamblea Nacional Julio Borges en su visita al Jefe del Comando Sur, Almirante Kurt Tidd, y regresar al país sin ser molestado por las autoridades, conservar su inmunidad parlamentaria, ofrecer conferencias de prensa y entrevistas en numerosos medios nacionales e internacionales y proseguir con su actividad proselitista y destituyente sin ninguna clase de limitaciones. Seguramente ocurriría lo mismo con los opositores en las dictaduras de Videla, Pinochet y Strossner. Este es un ejemplo entre muchos otros. Uno más: en Venezuela la mayoría de los medios de comunicación son contrarios al gobierno y las grandes cadenas de noticias internacionales tienen sus corresponsales instalados en aquel país que día a día “malinforman” o “desinforman” al resto del mundo sobre lo que ocurre en Venezuela sin ninguna clase de restricciones. Es que la “posverdad” y la “plusmentira” se convirtieron en monedas corrientes en los medios hegemónicos.

Julio Borges, presidente de la Asamblea Nacional, en su visita al jefe del Comando Sur, Almirante Kurt Tidd


Conviene reproducir aquí lo que recientemente escribiera Boaventura de Sousa Santos, profesor de la Universidad de Wisconsin y uno de los más distinguidos sociólogos y juristas contemporáneos. Luego de adherir a un manifiesto de intelectuales críticos del gobierno de Nicolás Maduro, de Sousa Santos sintió la necesidad de escribir un artículo porque, según sus palabras, “estoy alarmado con la parcialidad de la comunicación social europea, incluyendo la portuguesa, sobre la crisis de Venezuela, una distorsión que recorre todos los medios para demonizar un gobierno legítimamente electo, atizar el incendio social y político y legitimar una intervención extranjera de consecuencias incalculables.” Y, poco más adelante, en ese mismo artículo, nuestro autor, cuya autoridad científica y moral convierte a mis críticos en deformes pigmeos, termina diciendo  que “El gobierno de la Revolución bolivariana es democráticamente legítimo. A lo largo de muchas elecciones durante los últimos veinte años, nunca ha dado señales de no respetar los resultados electorales. Ha perdido algunas elecciones y puede perder la próxima, y solo sería criticable si no respetara los resultados. Pero no se puede negar que el presidente Maduro tiene legitimidad constitucional para convocar la Asamblea Constituyente.” [2] Suficiente en relación a este tema.

Cuatro, siempre en función de la dupla “posverdad-plus mentira” ninguno de los órganos de la oligarquía mediática que nos desinforma a diario en toda América Latina -incluyendo a El País de España, director de esta desafinada orquesta mediática- mencionó una noticia que ningún medio de comunicación “serio e independiente”, como gustan llamarse estas agencias de propaganda que hoy nos bombardean con sus falsedades, podría haber dejado pasar por alto. En su conferencia de prensa del 1º de agosto el Secretario de Estado de Donald Trump, Rex Tillerson, anunció oficialmente que “estamos evaluando todas nuestras opciones de política acerca de lo que nosotros podemos hacer para crear un cambio de condiciones donde o bien Maduro decida que ya no tiene futuro y quiera marcharse por voluntad propia  o nosotros podemos hacer que los procesos gubernamentales en Venezuela vuelvan a lo que marca su Constitución.[3] O sea: el imperio, por boca de su encargado de relaciones exteriores, anuncia que está implicado en la concreción de un golpe de Estado en Venezuela y tan gravísima novedad es escandalosamente silenciada en los grandes medios, esos que dedican ríos de tinta y horas y más horas de radio y televisión para acusar y difamar a diestra y siniestra a quienes denuncian las maniobras del imperialismo y sus lugartenientes locales para destruir regímenes democráticos, como lo hicieron –para nombrar sólo los casos más resonantes- en Guatemala (1954), en Brasil (1964), en República Dominicana (1965), en Chile (1973),  en Honduras (2009), en Paraguay (2012) y hace pocos meses en Brasil. Pocos días antes había sido el Director de la CIA, Mike Pompeo, quien declarase en su ponencia ante el Foro de Seguridad convocado por el Aspen Institute que “basta señalar que estamos muy esperanzados de que puede haber una transición en Venezuela, y nosotros -la CIA-, está dando lo mejor de sí para entender la dinámica allá para que podamos comunicársela a nuestro Departamento de Estado y a otros, los colombianos. Acabo de estar en Ciudad de México y en Bogotá, la semana antepasada, hablando exactamente sobre este tema, intentado ayudarles a entender las cosas que podrían hacer para obtener un mejor resultado para su rincón del mundo y nuestro rincón del mundo.”[4] ¡Al demonio con la soberanía nacional, la autodeterminación de los pueblos y la democracia! Porque si al emperador no le gusta el gobierno que existe en algunas de las provincias del imperio lo derriba sin miramientos. Y la prensa de todo el hemisferio, más la española, convenientemente aceitada y colonizada, acepta el engaño sin chistar y se esmera por blindar la ominosa noticia con la colaboración de los habituales saltimbanquis de los medios que dicen los que se les ordena decir, no importa lo que hayan dicho antes. No es conveniente que el pueblo se entere de estos planes insurreccionales de la Casa Blanca que producen un daño irreparable a la credibilidad de la democracia porque esta sólo será respetada si sus resultados son del agrado del emperador.  Caso contrario el error se corrige con una ayudita de los boys de la CIA y la “embajada”. Mejor será que la población siga pensando que el imperio tiene su sede en Orlando y sus personajes más significativos son el Pato Donald y el Ratón Mickey, que la CIA es una vetusta leyenda soviética y los otros quince servicios de inteligencia de Estados Unidos productos de una alucinación colectiva que afectó irreparablemente los cerebros de  Noam Chomsky, Howard Zinn, Tom Engelhardt, Michael Parenti, James Petras, Jim Cockcroft, Philip Agee  y John Perkins. Que no vaya a recordar ese pueblo que en el mayor acto terrorista de la historia Estados Unidos arrojó dos bombas atómicas sobre dos ciudades indefensas cuando Japón estaba vencido y que sí recuerde, en cambio, que Washington ha “exitosamente” exportado la democracia a Irak, Libia y Ucrania y ahora está tratando de hacer lo mismo en Siria y Venezuela. En síntesis, que Estados Unidos es lo que Hollywood dice que es y que Julian Assange es el novio despechado de la hija de Donald Trump y por eso inunda al mundo con sus mentiras desde Wikileaks. Se cumple lo que hace ya un siglo había pronosticado Gilbert K. Chesterton cuya cita pusimos como epígrafe a este escrito: los medios existen para impedir que la verdad sea dicha, que la verdad sea conocida.[5]

El líder de la oposición democrática en acción durante la tentativa insurreccional del 2014 junto a un compañero a punto de lanzar un cóctel Molotov


Cinco y final. El torrente de mentiras, falsedades y ocultamientos de mis críticos me obligaría a escribir un libro para desnudar toda y cada una de sus canalladas. No lo merecen. Prefiero proseguir con mis análisis y no perder mi tiempo discutiendo una a una sus acusaciones y respondiendo a sus insultos.  Pero haré una excepción en relación a una de sus más socorridas mentiras: la reiterada caracterización del líder fascista y golpista Leopoldo López cono un “preso político.” En su afán por  congraciarse con el imperio y la derecha vernácula los personeros de la oligarquía mediática insisten en el tema y, aún más, endiosan a ese personaje y a otros de su calaña como si fueran heroicos combatientes por la libertad. ¿Les suena la melodía? ¡Claro! Washington la empleó varias veces en el pasado: Combatientes por la libertad fueron los “exiliados” iraquíes que atestiguaron que el gobierno de su país estaba fabricando armas de destrucción masiva, a sabiendas de que tal cosa era una flagrante mentira. Pero sus testimonios fueron decisivos para que el Congreso de  EEUU aprobase la declaración de la guerra contra Irak junto a José María Aznar y Tony Blair, siniestros cómplices del engaño que todo el mundo sabía era tal.[6] Antes habían utilizado la misma virtuosa categoría para exaltar la imagen de los “contras” nicaragüenses, convirtiendo a unos brutales mercenarios en heroicos luchadores por la democracia y los derechos humanos. Volvieron a hacer lo mismo con la “oposición democrática” a Gadaffi supuestamente bombardeada por éste en Bengasi, un hecho que luego se demostró absolutamente falso pues el monitoreo satelital de la zona reveló que no existió tal bombardeo.[7] Pero la mentira surtió efecto y las víctimas de ese supuesto ataque rápidamente se convirtieron en valerosos combatientes por la libertad. Lo mismo está ocurriendo hoy en Venezuela, caracterizando como “preso político” a un señor como Leopoldo López que en realidad es un político preso, y que lo está por haber sido encontrado culpable del delito de sedición. En  Estados Unidos, por ejemplo, esto configura un crimen federal y puede llegar a ser purgado con prisión perpetua y hasta con la pena capital si es que en los incidentes promovidos por los sediciosos para alterar el orden institucional o derrocar a las autoridades constituidas se produjeran víctimas fatales. Parecida es la pena contemplada en España (recordar el caso del Teniente Coronel Antonio Tejero, en 1981) a quien en principio se lo sancionó con prisión perpetua por haber intentado un incruento golpe de estado ocupando la sede de las Cortes, reteniendo a los diputados pero sin provocar el menor destrozo dentro y fuera del recinto.. La sanción a López, en cambio, fue mucho más benigna pese a los destrozos producidos y las muertes ocasionadas: 13 años, 9 meses, 7 días y 12 horas de prisión. Con el ánimo de reducir la crispación política en vísperas de la Asamblea Nacional Constituyente la justicia venezolana le concedió el benefició de la prisión domiciliaria. Tal como es habitual en estos casos su otorgamiento estaba regido por estrictas reglas, una de las cuales era abstenerse de hacer proselitismo político, norma que el líder golpista violó repetidamente y por eso fue devuelto a la cárcel. Lo mismo ocurre en EEUU cuando un reo sale de la cárcel bajo “parole” y viola las condiciones de la libertad condicional. Nada nuevo. El gobierno argentino, y otros de su mismo signo, insisten en la liberación del “preso político” Leopoldo López, mientras mantiene como prisionera política sin cargos y sin proceso, y en contra de los reclamos de Naciones Unidas y la Comisión Interamericana de Derecho Humanos, a Milagro Salta en la prisión de Alto Comedero, en Jujuy. Sin embargo, bastó que yo dijera que el retorno a la cárcel de López se ajustaba a derecho y era lo que legalmente correspondía para que un tropel de críticos se abalanzaran de nueva cuenta contra mi persona, haciendo lugar inclusive a la inserción en una de esa notas de ataques soeces y agraviantes extraídos de los mensajes enviados en las redes sociales, algo que yo al menos nunca había visto antes y que expresa el grado de putrefacción moral a que han llegado las oligarquías mediáticas en la Argentina y Nuestra América.[8]  ¡Dixit, et salvavi animam meam! 


[1] Afortunadamente para la paz en Venezuela los líderes de Acción Democrática  manifestaron días atrás que presentarían sus candidatos a las elecciones de gobernadores y alcaldes previstas para la segunda mitad de este año, rompiendo de ese modo el chantaje al que los tenía sometidos la fracción terrorista de la oposición. Es muy probable que en los próximos días otros partidos adopten la misma postura.
[2] Ver su “En defensa de Venezuela”, en La Jornada (México), 28 Julio 2017
[5] Me permito recomendar la lectura de algunos libros que permitirán comprender un poco mejor el mundo en que vivimos y el papel que en él desempeñan los medios: Pascual Serrano, Desinformación. Como los medios ocultan al mundo (Barcelona: Península, 2009) y del mismo autor, Medios Violentos: Palabras e imágenes para el  odio y la guerra (Madrid: El Viejo Topo, 2008).Ver también Denis de Moraes, A batalha da mídia (Río de Janeiro, Pao e Rosas, 2009)
[6] Ver el magnífico documental “Iraq: a deadly deception” que prueba todo esto. Ir a: https://www.youtube.com/watch?v=3fNkeOZlM4U


[8] “Atilio Borón aplaudió los encarcelamientos de opositores en Venezuela y en Twitter le respondieron”, en https://www.clarin.com/mundo/atilio-boron-aplaudio-encarcelamientos-opositores-venezuela-twitter-respondieron_0_HkGhBMRU-.html


domingo, 6 de agosto de 2017

Não houve qualquer fraude ou ilegitimidade na eleição constituinte na Venezuela, diz jurista

Por Marco Weissheimer

Luiz Moreira, que acompanhou processo como observador internacional, afirma: “A imagem do que ocorre na Venezuela é profundamente distorcida pela mídia internacional”. (Foto: Agência Câmara)


Há um consenso tanto no Direito quanto na Ciência Política que os impasses profundos das sociedades modernas são resolvidos com a convocação pelo poder político originário de uma Assembleia Constituinte. Na Constituição da Venezuela há expressa previsão que permite ao presidente da República convocar, via eleições, o poder constituinte. Então, não há que falar em fraude nem em ilegitimidade do processo constituinte. A avaliação é do professor universitário, doutor em Direito Constitucional e integrante do Conselho Nacional do Ministério Público entre 2009 e 2015, Luiz Moreira, que foi um dos 47 observadores internacionais que acompanharam a eleição constituinte realizada no dia 30 de julho, quando os venezuelanos foram  às urnas para escolher 545 membros de uma Assembléia Constituinte, que serão encarregados de formular uma nova Constituição para o país.

Em entrevista ao Sul21, o jurista fala sobre o que viu na Venezuela, aponta a profunda divisão política no país e defende que a Constituinte pode ser uma oportunidade para firmar um novo pacto político no país. Luiz Moreira, porém, considera improvável que a oposição venezuelana, apoiada pelos Estados Unidos, caminhe nesta direção.

“O capital não se sujeita à democracia. É improvável que os interesses do capital, dos quais a oposição venezuelana é portadora, se submetam a algum tipo de Estado de bem estar social. A tática utilizada caminha para o confronto entre perspectiva inconciliáveis: um tipo de constitucionalismo popular, cujo projeto político dialoga permanentemente, através de eleições, etc., com a soberania popular, e um outro, cujo submissão aos interesses das empresas petrolíferas é evidente”.

A percepção sobre o que está acontecendo na Venezuela, acrescenta, “é profundamente distorcida pela mídia internacional, alinhada à determinação do governo do Estados Unidos de derrubar os governos populares na América Latina”.

Um grupo de 47 observadores internacionais (sendo quatro do Brasil) acompanhou a eleição constituinte na Venezuela. (Reprodução/Facebook)


Sul21: Qual sua avaliação, como observador internacional, do processo constituinte realizado na Venezuela?

Luiz Moreira: Há duas perspectivas a tratar. Em primeiro lugar, do ponto de vista eleitoral, trata-se de processo absolutamente consistente, inclusive muito mais moderno e avançado em termos tecnológicos do que o brasileiro. Toda urna é dotada de uma impressora, que fica no interior da urna eletrônica, que, após o voto do eleitor, imprime-o, permitindo que o cidadão o confira e o deposite em urna de papelão. Encerrada a votação, há auditoria, conferindo-se uma a cada sete urnas. Assim, a urna eletrônica, a ser auditada, emite relatório que será confrontado com os votos depositados na urna de papelão. Trata-se de sistema muito sofisticado, que desenvolveu mecanismos de segurança ao longo das 21 (vinte e uma) eleições que ocorreram na Venezuela, desde 1999, mecanismos que foram desenvolvidos para assegurar aos partidos políticos, em permanente disputa, a lisura do processo eleitoral.

Em segundo, do ponto de vista político, há uma profunda divisão no país. De um lado, a posição defendida pelo governo Maduro, que obteve vitória maiúscula, apesar do boicote da oposição ao processo constituinte, expressa com o voto de mais de 8 milhões de votos, em universo de 19 milhões de eleitores. Ocorre que o voto na Venezuela não é obrigatório e a atmosfera não era favorável ao comparecimento dos cidadãos, pois havia e há todo um ambiente de confronto que desestimulava o voto. De outro, a vitória da oposição nas eleições parlamentares de 2015 suscitava a perspectiva de sua ascensão ao poder Executivo. No entanto, sua vinculação à política de intervenção promovida pelos Estados Unidos e seus protestos violentos geraram a percepção que o desabastecimento da população é a forma política encontrada para desestabilizar o governo Maduro. Essa escolha política da oposição acabou por fortalecer o governo e parece ser a responsável pela legitimação da população ao processo constituinte.

Sul21: A oposição ao governo de Nicolas Maduro contesta a legitimidade do processo constituinte. Qual sua opinião sobre esse tema da legitimidade?  

Luiz Moreira: O Poder Eleitoral da Venezuela, por intermédio do Conselho Nacional Eleitoral, realizou 21 eleições nos últimos 18 anos, inclusive a eleição de 2015, que resultou na maior derrota da situação desde a ascensão de Hugo Chavez. Então, não há que falar em fraude nem em ilegitimidade do processo constituinte. Por que? Porque é consenso tanto no direito quanto na ciência política que os impasses profundos das sociedades modernas são resolvidos com a convocação, pelo poder político originário, de uma Assembléia Constituinte. Na Constituição da Venezuela há expressão previsão que permite ao Presidente da República convocar, via eleições, o poder constituinte. Nesse caso, a reação é grotesca, pois os críticos do processo pregam justamente a preservação da Constituição de Hugo Chavez e o contorno à soberania popular.

Governo Maduro, diz Moreira, obteve vitória maiúscula, apesar do boicote da Oposição ao processo constituinte, expressa com o voto de mais de 8 milhões de votos. (Foto: Governo da Venezuela)


Sul21: Pelo que testemunhou nestes dias em que passou na Venezuela como definiria a situação vivida pelo país?

Luiz Moreira: Tanto a oposição, em 2015, quanto o governo Maduro, em 2017, entendem ser a Constituinte a oportunidade de estabelecimento de novo consenso político. Ocorre que as posições políticas parecem hoje ser irreconciliáveis. A imagem do país, no entanto, é profundamente distorcida pela mídia internacional, alinhada à determinação do governo do Estados Unidos de derrubar os governos populares na América Latina. Por exemplo, foi amplamente divulgado no Brasil a situação de caos e de violência existente na Venezuela, materializada com a morte, em quatro meses, de cerca de 100 pessoas, dez somente nas vésperas das eleições constituintes. Somente no Rio de Janeiro, no primeiro semestre deste ano, morreram cerca de 5500 pessoas, quase 100 delas policiais assassinados. Então, do que exatamente estamos tratando?

Sul21: Você acredita que a Constituinte pode ser uma solução para a crise política que a Venezuela vive?

Luiz Moreira: A Constituinte é uma oportunidade para que seja estabelecido novo pacto político. Também é a forma encontrada no Ocidente para fundar sistemas jurídicos legítimos. No entanto, o capital não se sujeita à democracia. Desse modo, é improvável que os interesses do capital, dos quais a oposição venezuelana é portadora, se submetam a algum tipo de Estado de bem estar social. A tática utilizada caminha para o confronto entre perspectiva inconciliáveis: um tipo de constitucionalismo popular, cujo projeto político dialoga permanentemente, através de eleições etc., com a soberania popular, e um outro, cujo submissão aos interesses das empresas petrolíferas é evidente.

Sul21: Como observador, presenciou episódios de violência nestes dias em que passou na Venezuela? Quais os principais protagonistas dos atos de violência?      

Luiz Moreira: Para nós, brasileiros, os atos de violência existentes na Venezuela não assustam nem impressionam. Entretanto, essa atmosfera de desestabilização social lá existente situa-se no mesmo movimento de contestação às políticas de inclusão do povo pobre da América Latina. Diferentemente do que ocorre no Brasil, porém, a esquerda venezuelana não tem nenhum fetiche com o sistema de justiça nem com a toga. É por essa razão que a Constituição de Chavez, a mesma que os detratores da soberania popular venezuelana agora buscam conservar, criou o Poder Eleitoral, situando-o com poder autônomo, independente do Judiciário.

Sul21: Quantos observadores internacionais (e de quantos países) acompanharam a eleição no último domingo?

Luiz Moreira: Éramos 47 (quarenta e sete); do Brasil éramos quatro, os desembargadores Alice Birchal (TJ MG), Rui Portanova (TJ RS), o juiz do Trabalho Jônatas Andrade (do Pará) e eu. Havia observadores europeus, da Áustria, da França, da Itália e da França, e de todo o continente americano.

Sul21:Qual sua avaliação sobre a suspensão da Venezuela do Mercosul? A clausula democrática, utilizada para aplicar essa suspensão, justifica-se neste caso?

Luiz Moreira: O ato de suspensão da Venezuela do Mercosul, sob o fundamento de violação à cláusula democrática, não tem qualquer fundamento jurídico. A democracia no Ocidente se funda na soberania popular. Esse ato de violência se alinha às pretensões estadunidenses de interferir nos países da América Latina e os subordinar aos seus interesses e aos da indústria do petróleo, que não reconhecem que o povo venezuelano possa determinar seu destino.

FONTE: Sul 21

sábado, 5 de agosto de 2017

"Ela preferiu morrer a delatar os companheiros"

Filha dos militantes comunistas Olga Benário Prestes e Luís Carlos Prestes, Anita Leocádia Prestes lança livro que aborda os arquivos da Gestapo sobre sua mãe, assassinada em 1942, aos 34 anos

Por Bruno Gutierrez

"Condicionavam a libertação dela à delação de companheiros, tanto da Internacional Comunista como do Partido Comunista" / Matheus Tagé/DL


Anita Leocádia Benário Prestes nasceu na enfermaria de uma prisão em Berlim, na Alemanha. Filha de Olga Benário Prestes, marcante militante comunista alemã presa, torturada e morta pelo regime nazista, e de Luís Carlos Prestes, outro grande nome do comunismo no Brasil, a historiadora, hoje com 80 anos, conviveu apenas 14 meses com a mãe, antes de ser levada da prisão por sua avó, Leocádia Prestes e sua tia, Lygia.

Anita teve sua vida ligada à causa dos pais. Também militante, chegou a se exilar na União Soviética na década de 70, chegando a ser julgada à revelia pelo Conselho Permanente de Justiça para o Exército e sendo, posteriormente, beneficiada pela Lei da Anistia.

Durante sua vida, escreveu diversos livros sobre seu pai e a Coluna Prestes. No entanto, ainda não havia escrito sobre a mãe por crer que não havia sentido escrever mais sobre o que já havia sido dito sobre a curta vida de Olga, assassinada aos 34 anos.

Mas, com a divulgação dos arquivos secretos da Gestapo (polícia secreta da Alemanha nazista), Anita encontrou cerca de 2 mil documentos e oito dossiês sobre Olga Benário Prestes. Estes documentos deram origem a primeira obra da filha sobre a mãe: “Olga Benario Prestes. Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo” (Ed. Boitempo, 2017).

Anita esteve ontem na Associação Cultural José Martí da Baixada Santista, em Santos, para o lançamento do livro. Em entrevista ao Diário do Litoral, a historiadora conta sobre o trabalho realizado para a construção da obra sobre Olga.

Diário do Litoral – Como foi o desenvolvimento do livro? Como você chegou até os arquivos da Gestapo?

Anita Prestes – Sobre minha mãe, Olga Benário Prestes, ela já era mais ou menos conhecida no Brasil na medida em que houve, em 85, o lançamento do livro “Olga”, do Fernando Morais, que repercutiu muito na época e passou por várias edições. Ele, embora não seja historiador mas jornalista, fez uma boa reportagem, com um trabalho grande de pesquisa. Entrevistou bastante gente que conheceu minha mãe e estava viva naquela época. Consultou diversos arquivos no Brasil e no exterior e resultou numa biografia bastante confiável. Inclusive, meu pai achava que tinha alguns “senões” como sempre, mas no fundamental é um livro bastante bom. Despois houve, em 2004, o lançamento do filme “Olga”. Aí, sem dúvida, uma obra muito mais superficial, romântica, em que a política e história passa muito por alto, mas que de qualquer maneira serviu para divulgar a história. Mais 4 milhões de brasileiros assistiram a esse filme. Foi uma repercussão bastante grande. Até frequentemente em lançamento de outros livros, em eventos que eu participava, me perguntavam: “Você escreve sobre seu pai, mas não escreve sobre sua mãe?”. E eu respondia que não tenho idade para escrever. O que tinha para escrever – já que ela teve uma vida muito curta, foi assassinada aos 34 anos, então não tem outras coisas para expor. Para ficar repetindo as mesmas coisas, não teria sentido. Cheguei a escrever alguns artigos de divulgação, mas livro não tinha cabimento. Até que agora, em 2015, me avisaram que tinham disponibilizado na internet esse arquivo da Gestapo. A Gestapo foi a polícia secreta da Alemanha Nazista. Esse arquivo foi apreendido pelas tropas soviéticas quando tomaram Berlim em maio de 1945 e levado para a União Soviética. Não sei porque razão, ficou fechado durante todos esses anos. Não tinha nenhuma notícia sobre acesso, que fosse possível fazer pesquisa, nem da existência desses arquivos. Na União Soviética não se tinha notícia. E agora, há poucos anos atrás, foi assinado um convênio entre o governo da Alemanha e o governo da Rússia, no sentido de digitalizar essa documentação, que é enorme, e disponibilizar na internet. E foi aberto a partir de abril de 2015. Eu fui avisada por um colega alemão e, realmente, é um material enorme que abrange todo movimento comunista internacional da época, Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Para quem faz pesquisa histórica é um material riquíssimo, com um problema, pois a grande maioria dos documentos está em alemão. Eu, por exemplo, não sei alemão. Então, tem essa dificuldade. Mas eu consegui montar uma equipe de professores de alemão e que fizeram um trabalho, durante um ano traduziram essa documentação referente a Olga. É o maior arquivo de uma pessoa, individualmente, que se encontra nesse arquivo da Gestapo. Tem arquivos sobre muitas outras pessoas. Aí, na medida que pude ir lendo e fichando esses documentos, surgiu a possibilidade de escrever esse livro. Tem muita informação que era inédita, que o Fernando Morais não tinha, e nem nós mesmos da família porque o regime nazista era muito fechado. Eles tinham a preocupação, inclusive isso transparece na documentação, de que nada transpirasse para o exterior. Então, isso dificultava. Minha mãe não podia escrever porque a censura era rigorosíssima. As cartas não eram enviadas, ou quando eram enviadas tinham que falar sobre coisas corriqueiras, banais. Não podia informar nem o que ela estava fazendo, como era a vida dela, o trabalho escravo. Nada disso ela podia informar. Então, muita coisa a gente não sabia, e ficou agora como conhecimento através da documentação. Eles são bastante detalhistas, então a documentação é muito rica, interessante. Inclusive, tem algumas cartas que não foram enviadas, foram vetadas. Essas cartas inéditas eu publiquei nos anexos do livro. Fiz um trabalho de comparar as cartas que nós já tínhamos (publicadas na obra “Anos Tormentosos”), com as que apareciam no arquivo. As inéditas, cerca de 17 cartas, eu reproduzi no livro. Inclusive, tem a primeira carta que ela manda para o meu pai informando a respeito do meu nascimento e que não saiu de lá. Eles não mandaram, ela ficou presa. Não sei se é porque estava escrita em francês e eles queriam que tivesse escrita em alemão. Ela ainda não sabia que tinha que escrever em alemão. Só sei que esta carta não foi mandada.

Diário – Você teve uma visão da sua mãe por meio de parentes. Essas cartas e arquivos trouxeram uma outra visão sobre a Olga?

Anita – Não, elas confirmaram o que a gente já sabia. Os arquivos trazem algumas informações que a gente não tinha. Inclusive, o motivo porque a Gestapo não deixou ela sair. Muitos prisioneiros, desde que houvesse algum país que desse asilo, eles deixam sair. Muita gente saiu. Então, por exemplo, minha avó e minha tia tinham essa esperança que conseguisse. Tinham três países que davam asilo, pagavam passagem, davam dinheiro. Todas as condições foram criadas para que ela pudesse sair para o México, Inglaterra ou União Soviética, e a Gestapo não deixou. Por que? Porque eles condicionavam a libertação dela a ela delatar companheiros, tanto da Internacional Comunista como do Partido Comunista Alemão. Enquanto ela não desse esse tipo de informação, ela tinha que ser cada vez mais castigada, ao final assassinada, e não tinha a menor condição de sair. E ela sempre se recusou a dar esse tipo de informação. Inclusive, tem uma frase em que ela é confrontada em um dos interrogatórios e que ela diz: “Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei”. Eu coloquei essa frase como uma das epígrafes do livro porque é muito característico dessa intrepidez que ela revelou durante esses anos todos em que ela preferiu morrer ao delatar os companheiros.

Diário – Uma personalidade muito forte...

Anita – Ela teve muita firmeza, e antes de morrer passou por muita tortura, trabalho escravo... Esse campo de Ravensbrück, onde ela ficou, era um campo criado pelo (Heinrich) Himmler, um dos grandes chefes da Gestapo e o criador dos campos de concentração. Nesse campo, muitas mulheres saíram da Alemanha. Tinha, ao lado do campo, uma fábrica da Siemens. Uma empresa muita conhecida que existe até hoje, onde se produzia material de guerra e as mulheres do campo de concentração eram submetidas ao trabalho escravo. Ela trabalhou ali. Mas a gente não sabia porque ela não podia escrever isso e o ambiente era muito fechado. Nada transpirava na época.

Diário – O nazismo impediu você de ter o convívio com sua mãe. Qual o sentimento que fica?

Anita – O sentimento básico que fica é o perigo do fascismo, do nazismo, e a necessidade de resistir, de não permitir que isso se repita. Uma das minhas preocupações ao escrever esse livro é justamente isso. Divulgar mais, fazer com as novas gerações conheçam essa situação e, através da emoção, isso ajuda - o caso da Olga emociona muito, as pessoas a se mobilizarem e a entender que não se pode permitir que se repita fatos como esse. Foram milhões de pessoas assassinadas. A Olga é um caso.

Diário – O caso da sua mãe é emblemático também porque tem uma parte de culpa do governo brasileiro...

Anita – Com certeza. O principal responsável foi o governo brasileiro. Ela estava no Brasil e esperando um filho brasileiro. Pela legislação da época, ela tinha direito a permanecer no País. Mesmo assim, ela foi extraditada, inclusive,  com beneplácito do Supremo Tribunal Federal.

Diário – Se você pudesse traduzir, em poucas palavras, quem foi Olga. Como você a descreveria?

Anita – Acho que ela era uma comunista que revelou grande intrepidez na luta. Basicamente, isso.


Cinco aportes de Federico Engels a 122 años de su muerte

Engels murió a los 74 años, el 5 de agosto de 1895. 



A propósito de los 122 años del fallecimiento del revolucionario y fundador del socialismo científico, Federico Engels, te recordamos los aportes más importantes de "El General".

5 Aportes de uno de los pensadores, teóricos, economistas y políticos más influyentes de la historia:

Friedrich Engels, mejor conocido en América Latina como Federico Engels, fue un filósofo, economista, político y revolucionario alemán, caracterizado por su lucha a favor de los más desposeídos.

1. Marxismo, comunismo y socialismo
Fundó en colaboración con Karl Marx la teoría marxista, la teoría del socialismo científico, el comunismo moderno, la fílosofía del materialismo dialéctico e histórico y la economía política.



2. Filosofía para la historia 
A través de sus obras escritas permitió el nacimiento de movimientos sindicalistas, socialistas y comunistas alrededor del mundo:
- La sagrada familia (1844)
- La ideología alemana (1844-46)
- El Manifiesto Comunista (1848)
- El origen de la familia, la propiedad privada y el Estado (1884)
- Contribución al problema de la vivienda (1873)
- Principios del Comunismo (1847)
- El Capital (1867)
- Dialéctica de la naturaleza (1876)


3. Reivindicación de la clase obrera y trabajadora
Engels fue pieza clave para la reivindicación de la clase obrera y trabajadora. En 1844 dirigió junto a Marx el movimiento obrero revolucionario y creó la nueva doctrina revolucionaria.

Al mismo tiempo mostró, por primera vez, que la dura situación económica del proletariado le obliga a luchar por su emancipación derrocando el régimen capitalista.



4. Creó el periódico Neue Rheinische Zeitung
En colaboración con Marx, el filósofo creó el periódico alemán del siglo XIX Neue Rheinische Zeitung.

El diario lanzó su primera edición en enero de 1842 y estuvo en funcionamiento hasta marzo de 1843, cuando fue suprimido por la censura estatal prusiana. Cinco años más tarde sería editado un nuevo periódico para su sustitución, llamado Nueva Gaceta Renana que serviría de órgano de difusión de la Liga de los Comunistas entre 1848 y 1849.

5. Creó la Asociación Internacional de los Trabajadores
En 1864 creó la primera asociación internacional del proletariado fundada en 1864.
Sometió a una crítica las opiniones reformistas y sectarias (proudhonismo, llasalleanismo, bakunismo), la cual tuvo por su resultado la victoria de los principios del comunismo científico.

FUENTE: telesur

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Para download: Como se faz uma tese em Ciências Humanas, de Umberto Eco

Umberto Eco neste livro expõe, passo a passo, todos os procedimentos que devem ser seguidos para fazer uma tese em Ciências Humanas: a escolha do tema, a organização do tempo de trabalho, como conduzir uma investigação bibliográfica, o material selecionado e, por fim, a redação do trabalho. 

Link para download:


"Mia madre consegnata ai nazisti e i fantasmi del Brasile"

Matéria no jornal italiano La Repubblica sobre o livro "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo", da historiadora Anita Prestes, publicada nesta sexta-feira, dia 04/08/2017.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Saudoul, um oficial francês que aderiu à Revolução de Outubro

Por Miguel Urbano Rodrigues 

Em Outubro do ano passado, a Editora Turner lançou em Madrid um livro a que a crítica dedicou extensas recensões contraditórias: Cartas desde la Revolucion Bolchevique, de Jacques Sadoul* (1881-1956).

É uma tradução do original francês, Notes sur la Revolution Bolchevique, publicado em Paris em 1919.
O atraso de quase um século da versão espanhola explica-se pelo caracter polémico da obra e pelas perseguições de que autor foi alvo. Hoje o seu nome está quase esquecido. A imagem de Sadoul no Exercito Francês é má.

O livro, como o título indica, é uma colectânea de cartas, enviadas de Petrogrado e Moscovo entre Outubro de 1917 e Janeiro de 1919. A grande maioria dirigidas ao seu amigo Albert Thomas, que foi dirigente do Partido Socialista Francês e ministro dos Armamentos no início da Guerra de 14/18. Duas dessas cartas têm porém como destinatário Romain Rolland, Premio Nobel de Literatura, e a Introdução, elogiosa, é de Henri Barbusse, outro escritor famoso.
Sadoul era um capitão do exército quando foi colocado na Rússia como membro da Missão Militar Francesa.

A sua tarefa consistia em recolher e enviar informações sobre a Rússia onde o Partido Bolchevique acabava de tomar o poder.

O jovem oficial, mergulhado no caldeirão revolucionário, demonstrou quase imediatamente uma grande perspicácia e isenção na interpretação de uma realidade extremamente complexa. A sua tarefa foi muito difícil porque quase todos os representantes da França na ex-capital, a principiar pelo embaixador Noulens, eram ostensivamente anticomunistas e estavam persuadidos de que o governo soviético não tinha condições para durar muitos dias.

Logo nas primeiras cartas, Sadoul transmite uma opinião oposta à do pessoal diplomático e dos militares da Missão.

Discorda do apoio francês às forças e partidos contra-revolucionários, e denuncia a sabotagem dos industriais, dos financeiros e técnicos que se esforçam por inviabilizar as medidas tomadas pelo governo dos comissários do povo.

O capitão francês lembra repetidamente que não é comunista e chama a atenção para a desordem imperante no gigantesco país e para a carência de quadros comunistas competentes.

Sadoul é um socialista de esquerda com vagas leituras marxistas. A insuficiência da sua formação política transparece aliás da convicção de que a revolução bolchevique tinha uma direcção bicéfala. Ao referir o governo dos comissários do povo cita sempre Lenin-Trotsky. Para esse grave erro contribuiu o facto de ter mantido desde a sua chegada contactos preferenciais com Trotsky.

Sadoul desejava, no cumprimento da sua missão, que a Rússia bolchevique prosseguisse a guerra contra a Alemanha e a Áustria e manteve durante muitos meses a ilusão de que era possível a colaboração militar entre os Aliados - França, Inglaterra e Estados Unidos - com a república soviética.

Não escondeu o seu desejo de que fracassassem as negociações para uma paz separada com a Alemanha. A sua simpatia por Trotsky impediu-o inclusive de se aperceber de que no final das jornadas de Brest Litowsk ele recusou assinar o Tratado de Paz, assumindo uma posição incompatível com a de Lenin, o que lhe valeu aliás a renuncia ao cargo de comissário para as Relações Exteriores.

A ADESÃO AO COMUNISMO

Foi gradual mas lenta a evolução do pensamento político de Jacques Sadoul.

No início, o seu idealismo filosófico para ele, o americano Wilson foi um grande presidente com vocação socialista - dificultou a compreensão da estratégia de Lenin. Ingénuo, admitiu que os primeiros desembarques dos ingleses em Murmansk, no Árctico, tinham por objectivo criar uma nova frente de combate contra os alemães. Foi o bombardeamento britânico de Arkangelsk que lhe abriu os olhos para a evidência. Reconheceu então que a intervenção militar das potências da Entente na Rússia fora concebida no âmbito de uma política de hostilidade à revolução soviética.

Em Janeiro de 1918, apos a dissolução da Assembleia Constituinte, dominada pelos partidos da burguesia, Sadoul, que na praxis da Revolução, trocara o idealismo pelo materialismo histórico, escreveu numa das suas cartas: o sistema soviético parece infinitamente superior ao sistema parlamentar que conhecemos». E acrescentou: «O sistema soviético é mais verdadeiro, mais profundamente popular, mais apto para satisfazer as aspirações das massas, mais vivo e mais flexível».

Em Janeiro de 1919, gravemente doente em Moscovo, numa carta a Longuet, director do Populaire, desabafou: este ódio implacável contra a revolução russa é uma vergonha para a França supostamente republicana e democrática que renega assim todo o seu passado».

Pretendia regressar a França se a Justiça anulasse um processo instaurado contra ele pelos antigos colegas da Missão Militar. Mas o julgamento foi adiante. O Tribunal condenou-o à morte por «traição».
Forçado pelas circunstâncias a permanecer na União Soviética, colaborou intimamente com o PCUS. Desempenhou funções de inspector no Exercito Soviético e trabalhou durante três anos no executivo da III Internacional. O governo soviético condecorou-o com a Ordem da Bandeira Vermelha.

Quando o julgamento que o condenara foi anulado, regressou a França e inscreveu-se no PCF. Foi correspondente do Izvestia, de Moscovo, e colaborador de LHumanité.

Ao falecer aos 77 anos, no Var, Provença, não participava há muito de qualquer actividade política.

*Jacques Sadoul, Cartas desde la Revolución Bolchevique, 500 páginas, Turner Publicaciones, Madrid, octubre de2016

Vila Nova de Gaia, 16 Maio de 2017

FONTE: ODiario.info

Miguel Urbano Rodrigues (1925-2017)

Venezuela y la Asamblea Nacional Constituyente: ¿Poco o mucho?

Por Atilio Borón

La oposición intentó impedir que los ciudadanos salieran a votar el pasado 30 de julio en Venezuela, pero sus violentos sabotajes fracasaron. Foto: Reuters.


Pocas veces se celebraron elecciones en un contexto tan signado por la violencia como las de este domingo pasado en Venezuela. Hay pocas experiencias similares en el Líbano, Siria e Iraq. Tal vez en los Balcanes durante la desintegración de la ex Yugoslavia.

Dudo que en algún país europeo o mismo en Estados Unidos se hubiera celebrado elección alguna en un contexto similar al venezolano. Por eso que algo más de ocho millones de personas hayan desafiado a la derecha terrorista con sus sicarios, pirómanos, saqueadores y francotiradores  y concurrido a emitir su voto demuestra el arraigo del chavismo en las clases populares y, además, un valor a toda prueba para luchar por la paz y repudiar la violencia. Y cuando el CNE dice que votaron 8 millones 89 mil 320 personas es así, doblemente certificado por la cédula electoral y el control de las huellas dactilares de cada uno de los votantes.

Ese material está allí, sujeto a verificación por parte de la oposición o de observadores independientes, contrariamente a lo ocurrido con la pantomima electoral de la MUD el 16 de Julio que en una hilarante innovación en el arte y la ciencia de la política procedió a admitir votantes con o sin documentos, sufragar cuantas veces lo quisiera para luego quemar todos los registros una vez terminado el relampagueante recuento de los siete millones y medio de votos que mienten haber recibido.

Pese a estos antecedentes el resultado de la elección a la Asamblea Nacional Constituyente fue tildado como fraudulento tanto por la derecha internacional, gubernamental o no, como por algunas sectas delirantes de la izquierda eternamente funcionales al imperialismo. Algunos ilustres gobiernos  de dentro y fuera de la región: México, Argentina, Chile, Perú, Estados Unidos, Panamá, Colombia, Paraguay, Brasil, Canadá, España y Costa Rica se apresuraron a declarar al día siguiente de la elección que no reconocerían la ANC surgida del voto ciudadano en Venezuela algo que, sin dudas, le quita el sueño al gobierno bolivariano y a millones de venezolanos abatidos por tan degradante noticia. Se comprende que aquellos gobiernos no puedan hacerlo porque tienen demasiadas preocupaciones en casa como para perder un minuto en reconocer la lección de democracia que el bravo pueblo venezolano ofreciera el domingo.

México está azorado por el octavo periodista asesinado en lo que va del año, y sin nunca hallar al responsable amén de otras minucias como los 57 asesinatos por día registrados durante el 2016; el gobierno argentino por la muy probable derrota en el principal distrito electoral del país y una economía que no levanta vuelo; Chile, por la profunda deslegitimación de su sistema político y las protestas sociales que a diario conmueven las principales ciudades del país; Colombia, absorta en la atención de sus siete millones y medio de desplazados por el paramilitarismo y el narcotráfico; Paraguay por la penetración del narco en los distintos niveles de la administración pública; Brasil por el estercolero en que se ha hundido el conjunto de su dirigencia, para ni hablar del caos en que se encuentra Estados Unidos con un jefe de estado impredecible y veleidoso como pocos y una pobre España sumida ella también en la corrupción de sus ricachones, la putrefacción de la monarquía y el irreparable desprestigio de su clase política.  Gobiernos excelsos que seguramente ignoran que el ex presidente de EEUU James Carter –no precisamente un chavista- aseguró que el sistema electoral de Venezuela era más confiable y transparente que el de Estados Unidos.

El pueblo venezolano demostró que quiere la paz mediante la Constituyente. Foto: Correo del Orinoco.


Pero, envalentonados por el apoyo de tan distinguidos gobiernos, los críticos de la revolución bolivariana no se arredran y levantan su dedo acusador señalando que el grado de participación en la elección de la ANC, 42% del padrón electoral, fue muy bajo y mal puede avalar las pretensiones del oficialismo de legitimar su instalación en los próximos días.

La prensa canalla, cuya misión excluyente es mentir y manipular con absoluta inescrupulosidad la conciencia pública, nada dice de las condiciones bajo las cuales los venezolanos salieron de sus casas a votar. Peor aún, en su absoluta descomposición moral al diario El País, nave insignia del terrorismo mediático, se le olvidó que el 21 de Febrero del 2005 tituló “Sí rotundo a la Constitución Europea con una participación del 42% de los españoles”, resultado obtenido en medio de un clima de total tranquilidad, sin guarimbas ni sicarios sueltos por las calles. Pero doce años más tarde lo que en España permitía hablar de un “sí rotundo” se transmutaba en una crítica por la “violencia y la abstención en la Constituyente de Maduro”.

Nada dijo ese “house organ” del capital que su tan admirada Michelle Bachelet obtuvo la presidencia en 2013 en elecciones que contaron con la participación del 41.9% de los empadronados, y que en las municipales de Chile del año pasado la participación fue menor aún: 34.9%. O que en Colombia Juan M. Santos fue elegido en un balotaje con 47% de concurrencia de votantes y que en el Referendo por la Paz, de comienzos del  2016 la participación para decidir un asunto tan crucial como ese fue de sólo el 38%; o que Bill Clinton fue reelecto en 1996 en comicios en los cuales tomó parte sólo el 49% de los registrados para votar y su sucesor, George W. Bush, en otros en los cuales participó el 50.3 % ¡Y eso que lo que estaba en juego era nada menos que la presidencia de Estados Unidos!

El pueblo venezolano celebra la victoria de la Constituyente. Foto: EFE.


En conclusión: excelente nivel de participación dadas las circunstancias y fracaso total de la estrategia de la derecha para sabotear la ANC. Esto seguramente redoblará el accionar de la fracción terrorista de la oposición cuyo desprecio por las reglas democráticas es incurable. Y eso que hay elecciones de gobernadores pautadas para diciembre de este año, y que en el año próximo tendrán lugar las presidenciales. Pero a esa “élite de forajidos”, como el laborista británico Harold Laski llamaba a la dirigencia fascista europea cuya descendencia hoy devasta Venezuela, esto no les interesa en lo más mínimo.

Quieren acabar con el chavismo ya, apremiados por sus amos y financistas del norte, y para ello están dispuestos a hacer cualquier cosa, a violar cualquier norma ética. Le tocará a un relegitimado gobierno de Nicolás Maduro acabar sin más demoras con el ala terrorista de la oposición y recomponer el orden público y la vida cotidiana, sin lo cual será imposible relanzar el proyecto bolivariano.

(Tomado del blog del autor)

FUENTE: Cubadebate