domingo, 21 de agosto de 2016

PARA DOWNLOAD: Rosa Luxemburg, Karl Liebknecht, La revolución alemana de 1918-19

LINK PARA DOWNLOAD: 

Rosa Luxemburg, Karl Liebknecht, La revolución alemana de 1918-19, Madrid: Fundación Federico Engels, 2009.



ÍNDICE

EL CONGRESO DE LA LIGA ESPARTAQUISTA
Primera sesión. Necesidad de un nuevo partido
Segunda sesión. A favor o en contra de la Asamblea Constituyente
Tercera sesión. Discusión del problema sindical alemán
Cuarta sesión. El programa espartaquista
Quinta sesión. Espartaquistas y delegados revolucionarios
Clausura del Congreso 

TESTAMENTOS POLÍTICOS DE ROSA LUXEMBURG Y KARL LIEBKNECHT
El orden reina en Berlín
A pesar de todo

MANIFIESTO DEL PARTIDO COMUNISTA ALEMÁN

APÉNDICES
A la memoria de Karl Liebknecht (Karl Radek)
Enero Rojo en Berlín (Romain Rolland)
En memoria de nuestros asesinados en enero de 1919 (Hermann Duncker)
Revolucionario o reformista (Rosa Luxemburg contra el reformismo) (Hermann Duncker)


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Edições da Revista Seiva para download

A revista dos comunistas em pleno Estado Novo

A sobrevivência do Comitê Regional da Bahia do então chamado Partido Comunista do Brasil (PCB) após a forte repressão do Estado no governo de Getúlio Vargas em 1935 contribuiu para que alguns comunistas baianos enveredassem pelo caminho das letras através da articulação e produção de uma revista ainda pouco estudada, e que foi relevante para a afirmação dos comunistas baianos. A revista Seiva circulou entre 1938 e 1941. Tornou-se a primeira Revista antifascista a circular no cenário do Estado Novo, por isso, teve a princípio característica literária. Ao longo das 18 edições a Revista reverberou mesmo que não abertamente o sentido de luta, a defesa do nacionalismo, o combate ao imperialismo e a importância dos intelectuais na libertação dos povos da América. Através da diversidade dos textos, a Seiva discutiu o negro na Bahia e Brasil, o materialismo dialético, a situação operária, a cultura e os conflitos de seu tempo. 

LINKS PARA DOWNLOAD DAS EDIÇÕES DISPONÍVEIS NA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ:

Revista Seiva Ano I n° 1 (dezembro de 1938)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/922


Revista Seiva Ano I n° 2 (janeiro de 1939)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/923


Revista Seiva Ano I n° 5 (setembro de 1939)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/924


Revista Seiva Ano II n° 7 (setembro de 1940)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/925


Revista Seiva Ano II n°8 (dezembro de 1940)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/926


Revista Seiva Ano III n° 10 (outubro de 1941)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/927


Revista Seiva Ano III n° 11 (dezembro de 1941)
http://200.187.16.144:8080/jspui/handle/bv2julho/928



LEIA ABAIXO A ENTREVISTA DE JOÃO FALCÃO, QUE DURANTE O ESTADO NOVO TEVE A TAREFA DE EDITAR A REVISTA SEIVA, FURANDO O CERCO ÀS PUBLICAÇÕES COMUNISTAS.



PARA DOWNLOAD: Friedrich Engels, La guerra de los campesinos en Alemania

LINK PARA DOWNLOAD:

Friedrich Engels, La guerra de los campesinos en Alemania [1524-1525] (Der deutsche Bauernkrieg, 1850), La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 1974. 

Índice:
I. La situación económica y la estructura social de Alemania
II. Los grandes grupos de la oposición y sus ideologías. Lutero y Münzer
III. Los movimientos precursores de la gran guerra campesina entre 1476 y 1517
IV. La sublevación de la nobleza
V. La guerra de los campesinos en Suabia y Franconia
VI. La guerra de los campesinos en Turingia, Alsacia y Austria
VII. Las consecuencias de la guerra de los campesinos


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Data venia, ministra Cármen Lúcia, o cargo é de "presidente" ou "presidenta"

O professor Pasquale Cipro Neto, na Folha de São Paulo, hoje (18/08/16), dá duas aulas a Carmem Lúcia, ao explicar que a forma é usada há décadas e devidamente dicionarizada.
A primeira, de Português: ‘Data venia’, Excelência, o cargo é de presidente ou presidenta.(…)
A segunda, de boa educação: “Tenho profundo respeito pela ministra Cármen Lúcia, não só pela liturgia do cargo, mas também e sobretudo pela altivez com que o professa. Justamente por isso, ouso dizer que teria sido melhor ela ter dito simplesmente “Prefiro presidente”. (O professor Pasquale dá lição de português e de boas maneiras a Carmem Lúcia, por Fernando Brito, no Tijolaço)


Data venia, ministra Cármen Lúcia, o cargo é de "presidente" ou "presidenta"

Por Pasquale Cipro Neto

Na sessão de 10.ago, o atual presidente do STF disse o seguinte: "Então eu concedo a palavra à eminente ministra Cármen Lúcia, nossa presidenta eleita... Ou presidente?". A resposta da ministra foi esta: "Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa, eu acho que o cargo é de presidente, não é não?". 'Data venia', Excelência, o cargo é de presidente ou presidenta.

Essa questão atormenta o país desde que Dilma Rousseff venceu a primeira eleição e disse que queria ser chamada de "presidenta", porque, para ela, a forma feminina acentua a sua condição de mulher, a primeira mulher a presidir o país.

Esse argumento me parece frouxo e um tanto infantil. O que acentua o fato de Dilma ser mulher é justamente o fato de ela ser mulher, mas respeito a escolha dela e os que acham justo esse argumento.

A ministra do Supremo Tribunal Federal Carmén Lúcia


O que não se pode, de jeito nenhum, é ditar "regras" linguísticas totalmente desprovidas de fundamento técnico, mas foi justamente isso o que mais se viu/ouviu/leu desde que Dilma manifestou a sua preferência por "presidenta", forma que não foi inventada por ela.

Na bobajada que se lê na internet, o argumento mais frequente é justamente o da inexistência de "serventa", "adolescenta" etc., como se a língua fosse regida unicamente por processos cartesianos.

Não é, caro leitor. Se assim fosse, não teríamos como fatos consagrados inúmeros casos que nem de longe seguem a lógica. Ou será que no padrão culto se registra algo como "Fulano suicidou"? Pela "lógica", seria essa a forma padrão, mas...

A língua não funciona assim. Um exemplo: às vezes, o falante não tem noção histórica da formação de um termo e acrescenta algo que "ressuscite" o seu sentido literal. É isso que explica, por exemplo, a pronominalização de "suicidar" ("Ele se suicidou", "Tu te suicidarias?"). O verbo não é "suicidar"; é "suicidar-se". Pode procurar no "Houaiss" etc.

A terminação "-nte", que vem do particípio presente latino, forma (em português e em outras línguas) adjetivos e substantivos que indicam a noção de "agente" ("pedinte", "caminhante", "assaltante").

99,9999% desses termos não têm variação; o que varia é o artigo ou outro determinante (o/a viajante, o/a estudante, nosso/nossa comandante), mas é claro que há exceções.

Uma delas é justamente "presidenta", registrada há mais de um século. Na sua edição de 1913, o dicionário de Cândido de Figueiredo registra "presidenta", como "neologismo". Um século depois, esse "neo-" perdeu a razão. A edição de 1939 do "Vocabulário Ortográfico" registra o termo. A última edição de cada um dos nossos mais importantes dicionários e a do "Vocabulário Ortográfico" também registram.

Deve-se tomar muito cuidado quando se usa como argumento o registro num dicionário. Nada de dizer que "a palavra existe porque está no dicionário"; é o contrário, ou seja, a palavra está no dicionário porque existe, porque tem uso em determinado registro linguístico.

Tenho profundo respeito pela ministra Cármen Lúcia, não só pela liturgia do cargo, mas também e sobretudo pela altivez com que o professa. Justamente por isso, ouso dizer que teria sido melhor ela ter dito simplesmente "Prefiro presidente".

Aproveito para lembrar que não tenho feicibúqui, tuíter, instagrã etc., portanto toda a bobajada internética a mim atribuída é falsa. É isso.



Os comunistas e a Constituinte de 1946 (70º aniversário da Constituição de 1946)

A atuação do PCB na Constituinte de 1946 contém ensinamentos importantes para quem se interessa pela história dos comunistas brasileiros, mas também constitui valiosa experiência para as forças democráticas e progressistas no Brasil de hoje. 

Os comunistas e a Constituinte de 1946  – por ocasião do 60º aniversário da Constituição de 1946 

POR ANITA LEOCADIA PRESTES

Artigo publicado em Estudos Ibero-Americanos. PUCRS, v. XXXII, n. 2, p. 171-186, dezembro 2006. 

Neste artigo faz-se uma apreciação do contexto sócio-político presente no Brasil durante o ano de 1945. Destaca-se a atividade dos comunistas, voltada para a luta pela convocação de uma Assembléia Constituinte livremente eleita. Com a convocação de eleições para a Assembléia Constituinte, os comunistas elegem uma bancada, cuja atuação na Constituinte de 1946 é analisada no artigo. 

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA LER O TEXTO EM PDF:

Bancada do PCB na Assembleia Constituinte de 1946, composta de um senador (Luiz Carlos Prestes) e 14 deputados (Gregório Bezerra, José Maria Crispim, Maurício Grabois, Claudino José da Silva, Joaquim Batista Neto, Osvaldo Pacheco, Abílio Fernandes, Alcides Sabença, Agostinho Dias de Oliveira, João Amazonas, Carlos Marighela, Milton Caires de Brito, Alcedo Coutinho e Jorge Amado). Rio de Janeiro, 1946.

Em destaque, da esquerda para a direita: Carlos Marighela, Luiz Carlos Prestes e Gregório Bezerra. Rio de Janeiro, 1946.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

La escuela siempre es una escuela de clase (la obra "Educación y lucha de clases",de Aníbal Ponce, en y desde el siglo XXI)

LENIN alguna vez dijo: "Alguien nos reprocha el hacer de la escuela una escuela de clase: pero la escuela ha sido SIEMPRE una escuela de clase.".
RESEÑA de una nueva edición de  Educación y lucha de clases, de Aníbal Ponce
Por Cinthia Wanschelbaum, docente de la Universidad Nacional de Luján (Argentina) y autora de un amplio estudio introductorio que precede la referida edición

Reseña publicada en PERFILES EDUCATIVOS, Núm. 149, vol. XXXVII, julio-septiembre 2015, pp. 219-228.


Educación y lucha de clases
Aníbal Ponce
Buenos Aires, Ediciones Luxemburg, 2014


A 80 años del conjunto de conferencias que originaran el libro Educación y lucha de clases, Ediciones Luxemburg de Argentina decidió reeditarlo junto a un ensayo introductorio cuyo objetivo es analizar la obra ponciana en y desde el siglo XXI.


Obras completas de Mikhail Bakunin (em espanhol) disponível para download!



Mijaíl Bakunin - Obras Completas (5 tomos) - La Piqueta

Enlace [GDrive]: Obras Completas de Bakunin


Tomo 1: 
-Prefacio, Sam Dolgoff
-Prólogo, Max Nettlau
-Cartas a un francés sobre la crisis actual (1870)
-Carta. La situación política de Francia (Marsella) primera quincena de octubre de 1870
-El despertar de los pueblos (Fragmento)
-Carta a Esquiros (Alrededores de Marsella, 20, de octubre de 1870) 

 Tomo 2:
-Prefacio, Sam Dolgoff
-Prólogo, Max Nettlau
-El imperio knutogermánico y la revolución social. Primera entrega
……..La alianza rusa y la rusofobia de los alemanes.
……..Historia del liberalismo alemán
-Fragmento
-La Comuna de París y la noción del Estado
-Advertencia para el imperio knutogermánico
-Tres conferencias a los obreros del Valle de Saint-Imier 

 Tomo 3:
-Prefacio, Sam Dolgoff
-Prólogo, Max Nettlau
-Federalismo, socialismo y antiteologismo (Ginebra, 1867)
………Proposición al Comité de la Liga de la Paz
………Fragmento
-Apéndice: Consideraciones filosóficas sobre el fantasma divino, sobre el mundo real y sobre el hombre
………1.-El sistema del mundo
………2.-El hombre. Inteligencia, voluntad
………3.-Animalidad, humanidad
………4.-La religión
………5.-Filosofía. Ciencia 

Tomo 4:
-Prefacio, Sam Dolgoff
-Prólogo, Max Nettlau
-El imperio knutogermánico y la revolución social. Segunda entrega (1871)
-Dios y el Estado
-El principio del Estado (1871)
-Los osos de Berna y el oso de San Petersburgo (1870)

Tomo 5:
-Prefacio de Sam Dolgoff
-Prólogo de Max Nettlau
-Estatismo y anarquía (1873)
………Apéndice A
………Apéndice B
-Adónde ir y qué hacer
-Poscriptum al prólogo, de Max Nettlau
-Índice de nombres 



Aldeias em insegurança alimentar grave

Relatório aponta falta de terra como causa de fome entre indígenas

Por Leonardo Sakamoto

Imagine uma comunidade em que 100% das famílias encontram-se em algum grau de insegurança alimentar e nutricional. Para ter uma ideia do que isso significa, considerando o país inteiro, o índice é de 22,6% da população.

Isso seria uma tragédia sem comparações, motivo para governos serem obrigados a se justificarem e ao país – como um todo – ser espinafrado pela mídia nacional e internacional.

Seria. Se as comunidades afetadas não fossem indígenas. Que, como sabemos, são invisíveis.

A Fian Brasil, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), realizou uma pesquisa para medir a insegurança alimentar e nutricional em três comunidades Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul – Guaiviry, Apyka’i e Kurusu Ambá. As três são palco de disputas por territórios tradicionais e tiveram lideranças assassinadas.

Em 2013, 4,8% dos domicílios brasileiros com pessoas com menos de 18 anos se encontravam em insegurança alimentar grave. Enquanto isso, nas comunidades indígenas avaliadas, esse índice era de 28%.

Em 76% dos domicílios da pesquisa, a pessoa entrevistada afirmou que, no mês anterior a setembro de 2013, houve ocasião em que crianças e jovens da casa passaram um dia todo sem comer e foram dormir com fome, porque não havia alimento.

Menos de 40% recebiam o Bolsa Família.

A análise dos dados, que está sendo divulgada agora, aponta como causas estruturantes do problema de acesso aos alimentos, a falta de respeito, proteção e promoção dos direitos ao território e à sua identidade cultural.

Cerca de 98% das terras indígenas brasileiras estão na região da Amazônia Legal. Elas reúnem metade dos povos indígenas. A outra metade está concentrada nos 2% restantes do país. Sem demérito para a justa luta dos indígenas do Norte, o maior problema se encontra no Centro-Sul, mais especificamente no Mato Grosso do Sul – que concentra a segunda maior população indígena do país, só perdendo para o Amazonas. Há anos, eles aguardam a demarcação de mais de 600 mil hectares de terras, além de algumas dezenas de milhares de hectares que estão prontos para homologação ou emperrados por conta de ações na Justiça Federal por parte de fazendeiros.

Ao longo dos anos, os Guaranis Kaiowá foram sendo empurrados para reservas minúsculas, enquanto fazendeiros, muitos dos quais ocupantes irregulares de terras, esparramaram-se confortavelmente pelo Estado. Incapazes de garantir qualidade de vida, o confinamento em favelas-reservas acaba por fomentar altos índices de suicídio e de desnutrição infantil, além de forçar a oferta de mão de obra barata. Pois, sem alternativas, tornam-se alvos fáceis para os aliciadores e muitos acabaram como escravos em usinas de açúcar e álcool no próprio Estado nos últimos anos.

E isso quando esse “território'' não se resume a barracas de lona montadas no acostamento de alguma rodovia com uma excelente vista para a terra que, por direito, seria deles. Em outras palavras, no Mato Grosso do Sul, a questão fundiária envolvendo comunidades indígenas provoca fome, suicídios e mortes.

O relatório “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá'' será apresentado, nesta terça (16), às 14h, no Auditório 1 da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília.


domingo, 14 de agosto de 2016

Para download: livros da coleção Tudo é História (Editora Brasiliense)

Link para download:


Fidel, el invencible

FIDEL, FIDEL, ¿QUE TIENE FIDEL QUE LOS IMPERIALISTAS NO PUDIERON CON ÉL?


Por aquí pasó Fidel

Por Atilio A. Boron *

Fidel Castro em 1961, 2000 e 2016 (Foto: Associated Press')
Escribir unas pocas líneas sobre Fidel es una invitación a la vez fascinante y peligrosa. Lo primero, porque se trata de una figura titánica que cubre la segunda mitad del siglo veinte y los primeros años del actual. Lo segundo, porque dadas las inexorables restricciones de espacio, se corre el riesgo de apenas balbucear unas pocas palabras incapaces de hacerle justicia a un personaje que Hegel sin duda los caracterizaría como “histórico universal”, tal como lo hiciera con Napoleón. En esta oportunidad, y como pequeño homenaje a su nonagésimo aniversario, quisiera compartir una experiencia: la impresión que me causó Fidel cuando lo ví en Chile durante su histórica visita a ese país a finales de 1971. En ese tiempo me desempeñaba como joven profesor de la Flacso/Chile y traté de seguir el itinerario de Fidel lo más de cerca posible, tarea condenada al fracaso porque el Comandante no limitó sus actividades al área de Santiago sino que recorrió Chile de norte a sur, desde Antofagasta hasta Punta Arenas. Me consolé asistiendo a sus apariciones públicas en Santiago apenas recuperado del impacto emocional que me produjo cuando el día de su llegada a la tierra de Violeta Parra, al atardecer del 10 de Noviembre de 1971, yo era uno más de los miles y miles de santiaguinos que salimos a las calles para brindarle una conmovedora recepción. El climax se produjo cuando al acercarse la caravana de automóviles por la Avenida Costanera a la altura de las Torres de Tajamar, lo vimos pasar en un auto descapotado, de pie, enfundado en su uniforme verde olivo, su gorra y saludando a la multitud agolpada a ambos lados de la calzada. Siendo de por sí un hombre de elevada estatura, parado en ese carro, que avanzaba lentamente, sus dimensiones adquirieron proporciones gigantescas para quienes estábamos allí vitoreándolo y sentíamos que nos recorría, como una corriente eléctrica, la sensación mística de que estábamos viendo pasar no a un hombre, a un cubano, o a un jefe de estado, sino a la personificación misma de América Latina y el Caribe, al héroe que en nombre de Nuestra América había puesto punto final a nuestra prehistoria. Si su sola figura nos magnetizaba cuando pronunciaba un discurso –¡veinticinco en total durante su gira chilena, más una maratónica conferencia de prensa un día antes de su regreso a Cuba!–, sus formidables dotes de orador nos dejaban absolutamente deslumbrados.

Salvador Allende, su digno anfitrión, era un líder entrañable y un luminoso ejemplo para todos nosotros por su coherencia como marxista y por su valentía para enfrentar a la derecha vernácula y al imperialismo. Pero no era un orador de barricada; sus discursos parlamentarios eran excelentes, pero jamás podrían cautivar a una multitud. Los de Fidel, en cambio, eran como uno de esos fantásticos murales de Diego Rivera en el Palacio Nacional de México: un torrente por el cual fluía toda la historia de Nuestra América. Su capacidad didáctica, su contenido profundo y su incomparable elocuencia fascinaron a todos quienes pudimos asistir a sus concentraciones y, en mi caso, marcó para siempre mi conciencia política. Era obvio que el viaje de Fidel a Chile fue algo más que una visita diplomática. Parafraseando al Comandante Hugo Chávez, podríamos decir también que “por aquí pasó Fidel”. Y “aquí” fue ese sorprendente Chile de Allende adonde el Comandante llegó para comprobar, con sus propios ojos, si había otro camino para hacer avanzar la revolución en América Latina. En aquella coyuntura tan especial, esta era una cuestión de excepcional importancia para el líder cubano, revolucionario integral si los hay y obsesionado por identificar, en los complejos entresijos de nuestras realidades nacionales, las semillas de la necesaria revolución. Esta motivación quedó explícitamente confirmada en el notable discurso que Fidel pronunciara el 17 de noviembre de 1971 en la Universidad de Concepción. Fue precisamente eso lo que quiso ver Fidel en Chile, y la lectura de sus discursos y sus intervenciones en la prensa demuestran que era un profundo estudioso de la realidad chilena, meticulosamente bien informado sobre lo que ese país producía, a quién lo vendía en el mercado internacional, a qué precio y bajo cuáles condiciones. Y lo mismo valía para otros aspectos de la vida política y social de aquel país, que Fidel había estudiado hasta en sus menores detalles con anterioridad a su visita. Una gira extensa e intensiva, donde no sólo pronunció discursos sino que habló con miles de chilenos que le preguntaban de todo. Fue realmente un viaje de estudios, propio de quien concibe al marxismo no como un dogma sino como una guía para la acción –como lo exigía Lenin– y que se extendió desde el 10 de noviembre hasta el 4 de diciembre, en medio de la gritería insolente de la derecha que a poco llegar exigía el abandono de Fidel del suelo chileno. Pero Allende se mantuvo firme y brindó una cálida hospitalidad a su amigo cubano en cada rincón de la dilatada geografía del país andino. Con su visita Fidel dejó una estela imborrable en aquel lejano rincón de Nuestra América, que por un par de años más todavía sería, como lo afirma la canción nacional de Chile, “un asilo contra la opresión”. Poco después se transformaría en el baluarte de la barbarie fascista, en asilo de contrarrevolucionarios y guarida de terroristas que, Plan Cóndor mediante, asolaría a los países latinoamericanos. La revolución que Fidel correctamente caracterizó cuando dijo que en Chile estaba transitando sus primeros pasos, recordando que las revoluciones no son acontecimientos fulminantes sino el resultado acumulativo de transformaciones de diverso tipo, fue ahogada en sangre. Con esto quedaron definitivamente demostradas dos lecciones: primera, que en Nuestra América la osadía de los revolucionarios siempre será castigada por la derecha y sus aliados internacionales con un atroz escarmiento. Segunda: que el único antídoto para evitar ese fatal desenlace es completar sin pérdida de tiempo las tareas fundamentales de la revolución.

* Director del PLED, Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini.

FUENTE: Página 12

"Umberto D", de Vittorio De Sica - um clássico do cinema neorrealista italiano

Um excelente filme e muito atual para refletir sobre a canalhocracia brasileira.

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ASSISTIR O FILME "UMBERTO D":
https://www.youtube.com/watch?v=npqZnCwfTuw 88 min.  legendado em espanhol

Umberto D. de Vittorio De Sica (1952)



direção: Vittorio De Sica;
roteiro: Cesare Zavattini;
fotografia: G. R. Aldo;
edição: Eraldo da Roma;
estrelando: Carlo Battisti, Maria Pia Casilio, Lina Gennari.

Considerado o grande filme de Vittorio de Sica ao lado de Ladrões de Bicicletas (embora bem menos popular do que este último), Umberto D. conta, em sua narrativa, os problemas enfrentados por um senhor aposentado em uma Itália afundada na crise econômica. Apesar de possibilitar várias leituras, considerando os contextos políticos (governo irresponsável), sociais (crise de emprego) e até mesmo geográficos (Itália pós-guerra), a minha preferida é a mais óbvia, e é a leitura que vem da enorme sensibilidade da história. Umberto D. faz de tudo para sobreviver (dê uma ênfase ao prefixo “sobre”), e acompanhar sua jornada é simplesmente emocionante.

Apesar de se passar na Itália em um período específico da história daquele país (o pós-Guerra, quando a inflação devorava rapidamente o dinheiro do povo), a situação de Umberto Ferrari é atemporal e, também, poderia se passar em qualquer país. Desde os problemas comuns e mais abrangentes como o abandono dos idosos, governo irresponsável, arrogância dos ricos para com os pobres; até situações mais pessoais, como a solidão e a tristeza. O filme funciona como um prato-cheio de emoções tristes. Não há como não torcer para que Umberto encontre um final feliz. Mas, ao fazer isso, o espectador sabe que pode estar se enganando: como terminar bem com um cenário tão ruim ao seu redor?

Umberto tem apenas duas coisas com quem contar: seu cachorro (que acabaria por ser o responsável por um dos finais mais arrebatadores, em minha opinião, do cinema da década de 1950) e a empregada da pensão, uma jovem grávida que possui seus próprios problemas e, por isso talvez, entenda os problemas de Umberto muito bem. Todos os outros personagens significam adversidade: desde a dona da pensão até os velhos amigos que não querem (ou não podem) ajudar Umberto financeiramente. Por conta das adversidades, Umberto nem sempre consegue ser um personagem moralmente estável. Quando a necessidade aperta, ele é capaz de tomar decisões bastante desumanas, o que torna seu personagem completo e real, acima de tudo.

À época de seu lançamento, o filme foi um fracasso de crítica e de público. Talvez este não tenha gostado de assistir a uma história tão deprimente, sendo que o mundo ainda reconstruía-se depois da guerra. Hoje o filme é revisitado por críticos e cinéfilos e reverenciado como um ótimo exemplo de cinema, o que pode ser visto como uma atitude bem merecida. De Sicca conseguiu criar um filme cheio de complexidades que se mantém simples em sua essência, atingindo quaisquer objetivos que o diretor tenha almejado com total eficiência.

Tecnicamente belo, o trabalho do diretor italiano encontra-se situado em um momento de transformação do cinema. O filme encontra resquícios do cinema clássico, do expressionismo (longas sombras projetadas), mas serve para apresentar, de certa forma, o novo cinema, o cinema que ficaria famoso em Fellini, principalmente por este também ser italiano, e Antonioni. O cinema sendo utilizado como crítica social e política, mais do que nunca.

Agora, independente da técnica utilizada, o filme deixa sua marca na história do cinema é pela sua belíssima história. Como comentei lá no começo desta matéria, Umberto D. possui personagens muito fortes (mesmo o cãozinho tem grande importância e significado) e humanos, capazes de realizarem boas e más ações, geralmente com boas intenções (e por isso não há personagens estereotipados). Permanece aqui, então, a recomendação de mais um clássico do cinema europeu, tão ou mais valoroso que o popular Ladrões de Bicicletas.

O neorrealismo italiano se destaca no mundo do cinema como um dos movimentos mais influentes da história da sétima arte. Foi um dos principais motivos catalizadores do surgimento do chamado "cinema moderno" (se é que existe um). Caracteriza-se pela liberdade dada à câmera para contar histórias e juntamente com estas histórias apresentar críticas políticas e sociais, mostrando para o público as mazelas a que passava o povo italiano na fase durante e do pós-guerra. Faziam parte deste movimento alguns dos cineastas mais conhecidos do cinema italiano e que figuram entre as principais personagens do cinema mundial. São eles Roberto Rossellini, que inaugurou o movimento com seu filme Roma, cidade aberta, Luchino Visconti, Federico Fellini e Vittorio De Sica. Dentre todos estes, De Sica surge como um cineasta mais voltado para o drama pessoal, procurando olhar os problemas que os indivíduos possuem em um país tentando se reconstruir.

Assim surge Umberto D., tido por alguns como o ultimo filme neorrealista, que apresenta-nos Umberto (Carlo Battisti), aposentado tentando viver no mesmo lugar em que vive há mais de vinte anos. O problema: seu lar é alugado. Umberto não possui casa própria, necessita pagar aluguel todos os meses. Sua aposentadoria não é suficiente para que ele possa pagar o aluguel e comer. O filme inicia com um protesto com vários aposentados caminhando em direção à casa do primeiro ministro italiano, exigindo falar diretamente com o primeiro ministro. Mas o protesto é dispersado pelas forçar militares que atiram carros sobre a multidão de senhores que já não são tão fortes para fazer qualquer coisa a respeito a não ser fugir. - A cena é belíssima, a orquestração de De Sica apresenta uma confusão, um protesto bagunçado, são diversas as vozes e não conseguimos ouvir ninguém direito, nem mesmo o protagonista. De repente a voz de um representante do governo se faz ouvir, mas para dizer que os aposentados não tinham autorização para fazer a manifestação. Em seguida à fala do representante do governo surgem na tela os carros dos militares dirigindo-se para os manifestantes com o intuito de dispersá-los. Num primeiro plano temos os carros vistos por trás encaminhando-se para a praça, no segundo plano os carros entram na praça organizados, o terceiro plano, com a câmera posicionada do alto, mostra os carros movimentando-se em direção à multidão dispersando-a.

Mas o drama é de Umberto, e a câmera, embora mostre as pessoas, nutre um interesse em especial por este senhor que vive só com seu cachorro, cachorro este que está sempre ao seu lado e que lhe faz companhia até mesmo no protesto. Durante a fuga, Umberto se esconde em um prédio junto a outros aposentados. Inicia-se uma conversa entre eles de onde nosso protagonista descobre que, mesmo estando todos pedindo aumento da aposentadoria, apenas ele (Umberto) possui dívidas e realmente necessita deste aumento. Terminada esta conversa, Umberto sai do prédio conversando com um senhor aposentado que lhe parece amigável até que o protagonista tenta lhe vender um relógio para pagar suas dívidas. Por fim lá está Umberto só, acompanhado de Flike, seu cachorro. E será assim pelo resto do filme. Ninguém lhe faz companhia além de seu cachorro e de Maria, uma menina que lhe confidencia estar grávida e não saber quem é o pai de seu filho. A trama se desenvolve em meio a estas pessoas, tendo foco principal no personagem título do filme. É para elas que a câmera de De Sica se volta e carinhosamente as retrata. Este é o termo certo para comentar sobre a visão que é desenvolvida pelo diretor neste filme: é um retrato carinhosos de pessoas que sofrem, mas que tentam manter-se dignas frente aos seus problemas.

Para contar-nos esta história, De Sica não necessita de atores profissionais, qualquer italiano sensível poderia fazer aquele personagem. Daí constrói-se a poética do filme, nenhum dos atores do filme, incluindo o protagonista, eram profissionais. Eles foram escolhidos por terem o perfil certo de quem estariam representando e não um rosto fabricado para mostrar a realidade. É nesta busca pelo real em que se apresenta a poesia do cinema de De Sica, ao menos nesta obra. Ele extrai de seus não-atores os seus personagens e de seus personagens os seus sentimentos mais profundos. Isto se traduz em algumas cenas mais óbvias, como quando acompanhamos uma ida de Umberto ao centro financeiro de Roma para - como muitos outros - pedir esmola. Ele fica parado com a mão estendida em uma luta moral consigo mesmo que se transfere para a mão. A câmera de De Sica não sente a necessidade de estar muito perto do personagem para mostrar esta batalha interior, mesmo de longe conseguimos ver e talvez seja devido a esta distância que enxergamos todo o desdobrar da ação. - Um homem passa por Umberto, vê sua mão estendida e volta para lhe dar dinheiro. Umberto ainda em conflito moral vira a mão, não aceitando o dinheiro que lhe seria dado pelo homem que estava de passagem. Em outro momento é a vez de Maria (Maria Pia Casilio), a primeira a acordar na casa em que trabalha - a mesma de Umberto -, dirige-se para a cozinha para preparar o café. Enquanto faz suas ações rotineiras De Sica extrai dela a sua emoção, sua tristeza perante sua situação, e ela chora enquanto mói o café.

Um filme belíssimo, portanto. Trata-se de um filme sobre um país em crise, sim, mas antes de tudo um filme sobre pessoas. Um filme humano sobre humanidade.