domingo, 22 de abril de 2018

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" no MAR/RJ

A exposição propõe um percurso pela história social do samba — patrimônio imaterial brasileiro —-, da diáspora africana à atualidade do samba carioca. A perspectiva da resistência e da reinvenção cultural atravessam a mostra, apresentando a potência do samba como fenômeno social e estético.


A mostra de longa duração vai ocupar o museu por um ano, dos pilotis à Sala de Encontro, e terá como espaço principal o terceiro andar da instituição, área dedicada a investigar a história do Rio de Janeiro. Para explorar os aspectos sociais, culturais e políticos do mais brasileiro dos ritmos, os curadores Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos reuniram cerca de 800 itens. 

A história do samba carioca desde o século XIX até os dias de hoje será contada através de obras de Candido Portinari, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Guignard, Ivan Morais, Pierre Verger e Abdias do Nascimento; fotografias de Marcel Gautherot, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Bruno Veiga e Wilton Montenegro; gravuras de Debret e Lasar Segall; parangolés de Helio Oiticica, e uma instalação de Carlos Vergara desenvolvida com restos de fantasias. O prato de porcelana tocado por João da Baiana e joias originais de Carmem Miranda são algumas das raridades em exibição.

Haverá ainda cinco obras comissionadas pelo MAR, criadas especialmente para “O Rio do Samba”. A convite dos curadores, Ernesto Neto e o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, criaram uma instalação interativa, que terá lugar de destaque na Sala de Encontro. Jaime Lauriano fará uma intervenção logo na entrada do museu, gravando nas pedras portuguesas do chão dos pilotis os nomes das etnias africanas escravizadas no Brasil. A passarela que leva o visitante à sala de exposições será tomada por letras de música que falam sobre o próprio samba e ambientada por uma peça sonora criada pelo músico Djalma Corrêa, inspirada na batida do coração. Gustavo Speridião ocupará uma parede com uma obra inspirada na geografia do samba no Rio e João Vargas apresentará uma videoinstalação sobre o samba enquanto dança do corpo individual e coletivo.

Da herança africana ao Rio negro

A mostra é dividida em três momentos. O primeiro, “Da herança africana ao Rio negro”, apresenta a trajetória de indivíduos oriundos, em razão da escravidão, de diversas nações africanas ao Brasil e que trazem consigo uma a diversidade cultural que será reinventada no território da então colônia portuguesa. Na zona portuária da cidade, onde estão os terreiros e as casas das tias, que terão papel central no 

surgimento do samba carioca. Ainda hoje algumas personagens locais representam essa forte cultura do matriarcado. Para homenagear essas mulheres, tia Lúcia – moradora da região e integrante do programa Vizinhos do MAR – verá suas obras na exposição. 

Aqui o visitante poderá conhecer objetos usados pelos negros na lavoura, como o pão de açúcar – utilizado para carregar o produto e que, por seu formato, deu origem ao nome do famoso ponto turístico da cidade. Também entram em cena as festas rurais e religiosas: ao mesmo tempo que os instrumentos do candomblé se confundem com os do samba, manifestações como jongo e congada são encenadas em festejos como a Folia de Reis. 

Da Praça XI às zonas de contato 

Com o aumento da população, o centro da cidade começou a ter um alto custo de moradia. Iniciou-se, então, o movimento de expansão para os subúrbios. O núcleo “Da Praça XI às zonas de contato” trata dos aspectos que levaram à marginalização dos sambistas; do desenvolvimento da linha férrea que deu origem à Estação Primeira de Mangueira; da criação do samba moderno no Estácio; da entrada do ritmo nos programas da Rádio Nacional; do surgimento do “samba de andar” nos desfiles da Avenida Central, Rio Branco e Presidente Vargas; do projeto de nacionalismo da Era Vargas, quando o ritmo foi tomado como identidade nacional e intensamente difundido nas rádios. 

Fazem parte deste núcleo fotografias de rodas no morro registradas por Marcel Gautherot e instrumentos do candomblé incorporados ao samba pelos músicos que transitavam pelo Estácio. Pandeiros, caxixis e agogôs estarão expostos no mesmo ambiente de obras que retratam esses encontros, como “Orquestra”, de Lasar Segall.  Aqui o visitante verá também figurinos criados por Di Cavalcanti para o balé “Carnaval das crianças brasileiras”, de Villa-Lobos.

O Samba Carioca, um patrimônio 

A transformação do samba em espetáculo e o processo de retomada das origens fazem parte do último núcleo. “O Samba Carioca, um patrimônio” retrata a tradição das escolas enquanto voz de uma comunidade que usa o samba e seus elementos para representação social; a grandiosidade dos desfiles, passando pela construção do sambódromo; o avanço do mercado fonográfico e a relação com a produção das composições: os ritmos que derivam do samba; a reafricanização; a retomada dos quintais do samba; a revitalização da Lapa e a oficialização do samba como patrimônio cultural imaterial.  

Joãosinho Trinta ganha destaque com fotografias de Valtemir do Valle Miranda, especialmente uma imagem inédita da alegoria Cristo-Mendigo sem o plástico que a cobriu durante o desfile da Beija-flor, em 1989. Nesse contexto, também aparece a homenagem a Martinho da Vila e ao desfile “Kizomba, festa da raça”, que em 1988 rendeu à Vila Isabel o título de campeã do carnaval dos Cem Anos da Abolição da escravatura no Brasil.  

A evolução da indústria fonográfica será representada por uma espécie de árvore do samba. Uma parede da galeria será ocupada por 70 capas de discos raros e fotografias que se relacionam com a produção desse material. Aqui, finalmente, os compositores ganham voz e gravam canções, que poderão também ser ouvidas pelo visitante em uma playlist. A exposição termina com o retorno das rodas para os quintais. O processo social de ressurgimento e fortalecimento das rodas de samba, o surgimento do Fundo de Quintal, a criação do pagode e a ocupação da Lapa, como novo reduto do samba e revelando cantoras como Teresa Cristina e Ana Costa. Finalmente, o ritmo como patrimônio cultural imaterial aparece para mostrar o samba como condição de vida para além do carnaval. Esses indivíduos são representados em uma série fotográfica de Bruno Veiga e em um filme inédito do cineasta Lula Buarque, produzido especialmente para ser exibido em “O Rio do Samba: reinvenção e resistência”.   

Curadoria: Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos.

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" 
28/4/2018 a 30/3/2019
Praça Mauá, 5, Centro. CEP 20081-240 - Rio de Janeiro/RJ.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Apoiador das artes e da comunicação: conheça Miguel Díaz-Canel, novo presidente cubano

“Companheiro deputado Miguel Díaz-Canel, a partir deste instante o senhor é o novo presidente do Conselho de Estado e de Ministros da Assembleia Nacional de Cuba. Aproxime-se e assuma a presidência”, assim anunciou o presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo, na manhã desta quinta-feira (19). O sucessor de Raúl Castro foi eleito por unanimidade pelos parlamentares, na casa legislativa que é considerada uma das mais democráticas do mundo.

Fania Rodrigues | Havana (Cuba), no Brasil de Fato 


Em seu primeiro discurso, o novo presidente de Cuba disse que assume com “determinação o legado da geração histórica, que conquistou a Revolução Cubana” e compromete-se em seguir aprofundando o modelo socialista cubano. Díaz-Canel ressaltou ainda que o resultado de sua eleição é o reflexo de uma “determinação do povo”, que participou massivamente das duas primeiras etapas da eleição, que escolheram os representantes do Congresso cubano.

“Nesse mandato não há espaço para mudança brusca, apenas para a continuidade do modelo socialista cubano”, resumiu. O novo presidente disse também que a tarefa da nova geração política que assume o poder neste mandato é “dar continuidade à Revolução Cubana” e que segue o exemplo do “líder da revolução, Fidel Castro, e do general do Exército e primeiro-secretário do partido comunista, Raúl Castro”.

Confira o discurso de Díaz-Canel:



Saiba quem é novo chefe de Estado cubano


Um homem discreto, simples e muito inteligente. Assim é descrito pelos cubanos o sucessor de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel, que assume como novo presidente da ilha neste 19 de abril.

Casado com uma professora universitária e pai de dois filhos, fruto do primeiro matrimônio, Miguel Díaz-Canel nasceu no dia 20 de abril de 1960, um ano depois do triunfo da revolução. Nesta sexta-feira (20), completa 58 anos e representa uma nova geração no comando do país.

Começou sua carreira política na província de Santa Clara, região central de Cuba, onde foi militante e depois dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU) e da União de Jovens Comunistas (UJC).

Votação da Assembleia Legislativa cubana |Foto: Juvenal Balán
Formado em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu, o novo presidente começou sua carreira profissional como oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), na qual esteve de 1982 a 1985. Mais tarde, chegou a dar aula na universidade em que se graduou. Entre 1987 e 1989, cumpriu missão internacionalista na Nicarágua, como comissário político da UJC, na brigada militar de Cuba, durante a Revolução Popular Sandinista (1979-1990).

Atualmente, além de primeiro vice-presidente do Conselho de Estado, é membro do birô político do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a máxima autoridade tanto no sentido ideológico quanto político do partido e do Estado cubano. Portanto, Díaz-Canel é homem de total confiança de Raúl Castro, assim como era do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro.

Destaque na política

Apesar de ter passado por alguns cargos de direção quando jovem, foi como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, do Comitê Provincial de Villa Clara, que ganhou destaque na política nacional. Era 1994 e o país estava em pleno “período especial”. Com a queda da União Soviética, em 1991, Cuba perdeu os investimentos que recebia e viveu uma década de crise econômica profunda. O produto interno bruto encolheu 36%, entre 1991 e 1993. Havia escassez de diversos produtos, mas a falta de comida e combustível era o que mais afetava o cotidiano.

Em foto de dezembro de 1992, quando Díaz-Canel fazia
parte da União de Jovens Comunistas de Cuba
O escritor e jornalista Cubano Iroel Sanchez, autor do blog La pupila insomne, também de Villa Clara, conviveu com o político na juventude. “Díaz-Canel teve um papel importante na solução dos problemas gerados pela crise, sobretudo em um momento em que havia cortes de energia elétrica. Nessa época, criou uma relação muito próxima com o povo”, conta Sanchez.

Já nesse período era conhecido também por seu amor à arte. Mesmo na etapa difícil dos anos de 1990, ele ajudou a impulsionar a produção cultural em Santa Clara, capital da província de Villa Clara. “Me lembro de uma apresentação de teatro que fizemos na minha casa, não havia energia elétrica, a iluminação era a vela. E lá estava Miguel Díaz-Canel prestigiando a obra com a família”, relembra o produtor cultural Ramón Silberio Gómez, morador de Villa Clara. Hoje ele dirige o centro cultural El Mejunje, em Santa Clara.

O local é conhecido no país por ser vanguarda na inclusão de elementos culturais marginalizados em Cuba naquela época, como o rock’n roll e as apresentações culturais produzidas por travestis. Naquele momento, como máxima autoridade provincial, Díaz-Canel ajudou a impulsionar importantes reformas culturais nessa região do país. Até hoje Santa Clara figura como um dos mais importantes centros de produção cultural da ilha, atrás apenas de Havana. “Ele estabeleceu um estreito vínculo com o setor cultural e intelectual do país”, afirma o produtor cultural.

Díaz-Canel não faz parte da classe de políticos que frequentam festas, comemorações ou coquetéis com embaixadores. Porém, é comum encontrá-lo em concertos, apresentações de teatro e de livros, de acordo com Silberio Gómez. Sua personalidade, segundo quem o conhece, transita entra a timidez e a discrição.

Bem afeiçoado e sempre com um sorriso no rosto, o novo chefe do Estado cubano costumava andar de bicicleta pelas ruas de Santa Clara, mesmo já sendo uma importante autoridade política. “Era um dirigente do povo, simples, que costumava andar de bicicleta pela cidade e cumprimentava todo mundo”, conta Gómez.

Hoje, longe da bicicleta e mais perto do despacho presidencial, Díaz-Canel ainda dispensa certos protocolos. Precisa andar com segurança, devido ao cargo de vice-presidente que ocupa desde 2013. No entanto, usa uma estrutura mínima que se resume a um guarda-costas e um motorista. Isso deve mudar em breve, pois o Estado cubano tem um regime de segurança rigoroso com o presidente do país. “Em Cuba existe um problema com os líderes da geração histórica, que é o fato de os Estados Unidos terem tentado matar Fidel Castro 538 vezes. Foi o líder de Estado que os EUA mais vezes tentaram matar e não puderam. Isso gerou medidas elementares de segurança. Não é uma proteção contra os cubanos, mas contra as tentativas de assassinato dos EUA”, explica o escritor Iroel Sanchez.

Antes de ser vice-presidente, Díaz-Canel foi ministro de Educação Superior, entre 2009 e 2013. Esse ministério faz a gestão de todas as universidades do país. Desse período vem sua relação com o setor de educação, que se manteve, tanto que foi designado pelo partido para discutir o texto da nova Conceitualização do Novo Modelo Econômico e Social Cubano de Desenvolvimento Socialista, debatido e aprovado no último Congresso do Partido Comunista, realizado em novembro de 2017.

Em uma das plenárias com educadores realizada antes do congresso, o diretor do Centro Martin Luther King, Joel Suárez, conta como foi a relação estabelecida com Díaz-Canel: “É uma pessoa que sabe escutar. As vezes que interviu foi para colocar exemplos de situações práticas que se vivem o país. Ao mesmo tempo, notava-se que ele é uma pessoa que estuda e lê, pois entrava também no debate de ideias, intelectual e teórico. Contribuía ao debate”.

Díaz-Canel, então dirigente da
juventude cubana, junto a Fidel Castro
Para a jornalista Irma Shelton, repórter e apresentadora do canal Cubavisión, Díaz-Canel já era o favorito a ocupar o mais alto cargo do país. “Ele é um dirigente político que vem das filas da Federação Estudantil Universitária e da Juventude Comunista de Cuba. Um dirigente que se destacou por sua inteligência e por sua relação com as massas, porque sabia dirigir”, relata.

E foi como dirigente do Partido Comunista que protagonizou uma da histórias conhecidas nos bastidores da política cubana. A jornalista Daisy Gómez, uma das mais conhecidas de Cuba, contou ao Brasil de Fato uma anedota que ilustra um pouco o grau de liderança que tinha junto à população de Villa Clara.

Em 1996, Díaz-Canel convidou o presidente Fidel Castro para celebrar uma data patriótica junto com a população da capital provincial de Villa Clara, em Santa Clara. Fidel disse: “É que a data está muito próxima, será impossível que possa reunir em tão pouco tempo a quantidade de pessoas necessárias para encher a praça da cidade. Díaz-Canel então respondeu: “Eu me comprometo que esta noite a praça estará cheia”. “E encheu”, conta Daisy Gómez.

Modernização da comunicação

Agora, frente a novas responsabilidades, Miguel Díaz-Canel terá a tarefa de conduzir Cuba em direção às mudanças econômicas que provocarão forte impacto na sociedade. Ele faz parte de nova geração de políticos escolhidos para enfrentar os desafios da modernidade.

Díaz-Canel durante eleições cubanas de 2012
Desde 2013, quando foi eleito para o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional, Díaz-Canel recebeu a missão de ser o executor das políticas estabelecidas pelo governo de Raúl Castro para área da comunicação, que envolvia telefonia, ampliação do acesso à internet, modernização dos canais de televisão, informatização e automatização dos processos produtivos.

“Como vice-presidente teve um papel de destaque. Ele coordenou a execução do Plano de Informatização do país. Nos últimos anos, houve um incremento substancial no acesso à internet em Cuba. O que tem gerado qualidade de vida à população”, destaca Iroel Sánchez, escritor e blogueiro no país.

Como vice-presidente ele também foi um dos principais defensores da massificação do uso da internet pela população cubana. Durante o lançamento do Plano de Informatização, em 2015, fez um discurso enfático sobre a necessidade expansão da internet na ilha. “A criação de uma infraestrutura de internet, de acordo com nossas possibilidades, servirá de de base para o desenvolvimento das atividades econômicas em todos os níveis: estatal, das cooperativa e do setor autônomo”.

Também defendeu o uso da internet como ferramenta de geração de empregos. “A internet tem um potencial gerador de serviços e de atividade econômica que contribui como fonte de criação de empregos, recursos e crescimento econômico”.

O escritor e blogueiro cubano afirma ainda que Díaz-Canel também é o responsável por impulsionar modernização dos meios de comunicação, especialmente os canais de televisão. O principal canal de TV cubano, Cubavisión, entrou na era digital. Foi totalmente remodelado e está fazendo a transição para o sinal digital. Em três meses, o sinal analógico começará a ser desligado e gradualmente será substituído pelo novo sinal.

Em 2016, no encerramento do 7º Congresso do PC
Cubano, com Fidel e Raúl
Além disso, já existe um debate sobre a criação de uma nova política de comunicação, que será estabelecida pelo novo chefe de Estado, de acordo com informações de Iroel Sánchez. O escritor enfatiza que Cuba é submetida há anos a uma guerra midiática gigantesca. “O governo dos Estados Unidos gasta em média 50 milhões de dólares, ao ano, em propaganda contra Cuba. Falo do orçamento do Estado, fora o que se faz por outras vias em conjunto com os meios privados. Esse valor está muito acima do orçamento de todos os meios cubanos juntos”, informa Iroel.

Ainda que não tenha a ambição de competir com seu vizinho do norte, Cuba tem a necessidade de criar um novo modelo de produção e difusão de informação, de acordo com o escritor. “Cuba tem a necessidade elevar a qualidade de sua comunicação. Uma maneira de se defender é tendo bons meios de comunicação”, ressalta Iroel.

Agora eleito presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel tem a missão de implementar todas as mudanças aprovadas no último Congresso do PCC, que conformarão o novo modelo de desenvolvimento do socialismo cubano. Será a continuidade da Revolução, que em janeiro de 2019 completará 60 anos.

No entanto, em Cuba não haverá mudança brusca, nem guinada de governo, afirmam todos os entrevistados para o Brasil de Fato. Até porque Raúl Castro sai da presidência do Conselho do Estado, mas não vai se retirar da política. Ele continua à frente do Partido Comunista, que participa da tomada de decisões e implementação do plano de governo. No ano passado, durante o congresso do partido, Raúl foi eleito primeiro secretário do Partido Comunista Cubano para o mandato que termina em 2021. Além disso, o membro da geração histórica é o comandante e chefe das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

Linha do tempo da vida do presidente Miguel Díaz-Canel


• Entre 1975 e 1982: Militante e dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU).

• 1982: Formou-se em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu.

• Entre 1982 e 1993: Dirigente da União de Jovens Comunistas (UJC).

• Entre 1982 e 1985: Oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba.

• 1994: Foi nomeado primeiro-secretário do comitê provincial do Partido Comunista de Cuba (PCC), de Villa Clara. Nessa época, o cargo representava a máxima autoridade política da província.

• 2003: Nomeado primeiro-secretário do PCC da província de Holguín e eleito membro do birô político do comitê central do PCC.

• Entre 2009 e 2013: Ministro de Educação Superior.

• Desde 2013: Primeiro vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional e do país. Foi o primeiro político nascido depois do triunfo da Revolução Cubana (1959) a ocupar esse cargo.

• 2018: Eleito novo presidente de Cuba, sucessor de Raúl Castro.




segunda-feira, 16 de abril de 2018

Materiais produzidos pelo prof. Fernando Penna (UFF) analisando o movimento Escola Sem Partido

Por uma escola democrática e sem censura
Professores Contra o Escola Sem Partido


TEXTOS E ARTIGOS CIENTÍFICOS:
- O ódio aos professores (18/09/2015):
https://goo.gl/HbEc1S
(também publicado no livro “A ideologia do movimento Escola sem Partido”, baixe o livro aqui: https://goo.gl/Izw1E3)
- Proibido educar? Com o pretexto de evitar “doutrinação”, projeto de lei ameaça o ensino escolar e criminaliza a prática docente (01/05/2016):
https://goo.gl/3Aib2C
- O ódio aos professores se profissionaliza (14/11/2016):
https://goo.gl/2gDx3D
- Programa “escola sem partido”: ameaça a uma educação emancipadora (2016): https://goo.gl/nQGbVk
- Escola sem Partido como chave de leitura do fenômeno educacional (2017): https://goo.gl/9sbEyB
(publicado no livro "ESCOLA “SEM” PARTIDO: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira", baixe o livro aqui: https://goo.gl/JE5p3u)
- "Escola sem Partido" como ameaça à Educação Democrática: fabricando o ódio aos professores e destruindo o potencial educacional da escola (2017):
https://goo.gl/buKe7S
PARTICIPAÇÕES EM AUDIÊNCIAS PÚBLICAS:
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (03/11/2015): https://youtu.be/XGK0_dLEQN0
Senado Federal (16/11/2016)
https://youtu.be/q8vw6aHq3jQ
Câmara dos Deputados (07/02/2017):
https://youtu.be/tsG8j1kkRow
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (17/04/17):
https://youtu.be/MZfgFj_vJOA
Câmara Municipal de Ribeirão Preto - SP (24/04/17): https://youtu.be/ROaVcMvMdVk
Câmara Municipal de Salvador - BA (29/05/2017): https://youtu.be/s_W34wik_Ms
Câmara Municipal de Tubarão - SC (11/08/17):
https://youtu.be/3674qvNDGk4
ALERJ - Entrega da Medalha Tiradentes (05/03/2018):
https://youtu.be/b4Yg2YcXOSA
Câmara Municipal de Araraquara- SP (12/04/18):
https://youtu.be/i-mMm-X7ZpU
PALESTRAS:
O movimento Escola sem Partido e o ódio aos professores (18/04/2016): https://youtu.be/0OoXp6dSRMc
Escola Democrática X Escola sem Partido (24/06/2016): https://youtu.be/xGh-mFadrZA
Aula Magna da Faculdade de Educação – Escola sem Partido como chave de leitura (14/09/2016) - https://goo.gl/xjpG6c
Programas de TV:
Sala Debate – Canal Futura: https://youtu.be/J2v7PA1RNqk
Caminhos da Reportagem – TV Brasil: https://youtu.be/dKPz9_mTLk4
PODCASTs:
Sobre História Podcast - "Escola sem Partido"
https://goo.gl/s2xR8k
PCESP#1 - O que é uma boa educação?
https://goo.gl/9gXCQG
PCESP#2 - Democracia Radical
https://goo.gl/rEznWE
PCESP#3 - Censura e perseguição política às universidades
https://goo.gl/rp9ZYR
DOCUMENTO:
“Em defesa da liberdade de expressão dos professores” (carta aberta ao Senado): https://goo.gl/4BrSaE
Assinaturas da carta:
https://goo.gl/4rPhZw

sábado, 14 de abril de 2018

A ATUALIDADE DO LEGADO DE LUIZ CARLOS PRESTES E OS CAMINHOS DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA NO BRASIL

POR ANITA LEOCADIA PRESTES

(Texto apresentado em evento comemorativo dos 120 anos de Prestes e 110 anos de Olga, IFCS/UFRJ, 5/4/2018)

Luiz Carlos Prestes, ao pensar os caminhos da revolução socialista no Brasil, elaborou um pensamento crítico às concepções nacional-libertadoras amplamente difundidas junto a muitos partidos comunistas do nosso continente. Temos em vista as teses paras os países coloniais e semicoloniais aprovadas em 1928 no VI Congresso da Internacional Comunista e reafirmadas na 1ª Conferência dos Partidos Comunistas da América Latina, realizada em Buenos Aires, em 1929.

Tratava-se de uma concepção estratégica falsa, uma vez que inadequada à realidade que os comunistas pretendiam transformar, pois o capitalismo implantado no país surgira na época do domínio imperialista mundial exercido pelas potências centrais desse sistema, o que determinou sua posição subordinada, ou seja, a dependência a que ficou submetido. Não havia condições para a conquista de um desenvolvimento livre e independente do capitalismo brasileiro, meta que era perseguida pelos comunistas.




terça-feira, 10 de abril de 2018

Para download: "Os intelectuais e a defesa da educação brasileira"

Os intelectuais e a defesa da educação brasileira
Organizadores: Eraldo Leme Batista; Paulino José Orso; Bruno Botelho Costa
NAVEGANDO PUBLICAÇÕES, 2018

LINK PARA DOWNLOAD:

Sumário

PREFÁCIO
Maria de Fátima Felix Rosar
APRESENTAÇÃO
Os Organizadores

CAPÍTULO I
LOURENÇO FILHO: A OBRA DE UMA VIDA, A VIDA NUMA OBRA
Carlos Monarcha

CAPÍTULO II
DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO: OS PILARES DA CONSTRUÇÃO DO NOSSO FUTURO EM ANÍSIO TEIXEIRA
Josildeth Gomes Consorte

CAPÍTULO III
ENTRE O UNIVERSAL E O PARTICULAR: O DIREITO À EDUCAÇÃO E SUAS EXPRESSÕES EM FERNANDO DE AZEVEDO (1894–1974)
José Carlos Souza Araújo

CAPÍTULO IV
A EDUCAÇÃO E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO NA PERSPECTIVA TEÓRICA DE PASCHOAL LEMME
Eloá Soares Dutra Kastelic

CAPÍTULO V
A TRAJETÓRIA INTELECTUAL DE ROQUE SPENCER MACIEL DE BARROS
Paulino José Orso

CAPÍTULO VI
A LEITURA SOCIOLÓGICA DO FOLCLORE PAULISTANO: A CONTRIBUIÇÃO DE FLORESTAN FERNANDES
Débora Mazza

CAPÍTULO VII
FLORESTAN FERNANDES E O COMPROMISSO DO INTELECTUAL COM A DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Gilcilene de Oliveira Damasceno Barão

CAPÍTULO VIII
PAULO FREIRE E EDUCAÇÃO PARA PENSAR CRITICAMENTE E A INTERVIR NA REALIDADE
Bruno Botelho Costa

CAPÍTULO IX
EDUCAÇÃO E POLÍTICA: AS IDEIAS PEDAGÓGICAS DE PAULO FREIRE NOS ANOS DE 1960
Ana Paula Salvador Werri

CAPÍTULO X
O PENSAMENTO DO INTELECTUAL – POPULAR CARLOS RODRIGUES BRANDÃO
Érico Ribas Machado
Karine Santos
Fernanda dos Santos Paulo

CAPÍTULO XI
DERMEVAL SAVIANI – UMA TRAJETÓRIA DE LUTA E COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA
Eraldo Leme Batista
Marcos Roberto Lima

CAPÍTULO XII
Atualidade e necessidade do pensamento de Álvaro Vieira Pinto: Educação e desenvolvimento em debate
Rita de Cássia Fraga Machado

SOBRE OS AUTORES